19h / 39,5 ºC
temperatura ideal para libertar os aromas quentes de agosto em pleno alentejo. em especial, suspenso, o cheiro das figueiras.
a paisagem de planalto, entrecortada pelos diferentes ramais do grande lago. alguns campos, geométricos, ainda verdes, salpicados ordenadamente por oliveiras; outros, dourados pelo sol mergulhado no restolho.
um silencio cheio: as cigarras, os guizos das cabras, o pastor que dialoga autoritariamente, a meio da encosta, com as suas cabras. fica-se com a sensação que todas têm nome, até as mais jovens.
tudo calmo, à calma. pouco movimento. uma ou outra cabra que consegue pular aos ramos das oliveiras. a erva, seca, nao parece apelativa. o sol que baixa, rápido, no horizonte. perdoa-se-lhe o encandeamento. ainda que quente, parece empurrar uma brisa subtil.
agosto 09, 2011
agosto 03, 2011
dia 3
as ruas floridas de redondo... estas festas têm um nome pouco indicativo do que verdadeiramente se mostra nestas ruas. mais do que floridas, são coloridas e criativas, tendo por matéria prima o papel. só que a chuva da segunda feira não perdoou e arrasou completamente com os tectos de papel colorido. em 36h, foram recolocados e recompostos. quem não viu antes, mal dará pela diferença. ainda não vi tudo. vou vendo... a bom ritmo alentejano, enquanto fujo do caos sonoro que se instalou no centro da vila - e quanto mais tarde, pior! mas festa é festa e há quem goste, pelo que só tenho mesmo de fugir para as ruas coloridas ou para um cantinho mais quente (sinto falta dos 35ºC das 14h! está fresco, bom para vir espiolhar a vila)


agosto 02, 2011
dia 2
depois de uma longa viagem....
...adenda a dona da casa já dá dedo amanteigado às lambidelas de gata...
agosto 01, 2011
dia 1
há muitos anos, marcavam o fim da quinzena de algarve. a última tarde, antes do dia da partida, era passada numa esplanada do largo sombreiro da cidade, com coca-cola ou sumol laranja (ainda não havia nem lambretas nem ordem para beber cerveja!), palitos, oregãos a flutuar no molho cheiroso, as mãos cheirosas dessa iguaria, pãozinho tostado com manteiga, e um fim de tarde bem passado. dos quatro, havia alguém que "detestava" aquela coisa com "ar de ranhoca"... é verdade, parecem mesmo, mas não são a mesma coisa. o aspecto nunca me privou de saborear diferentes iguarias.
passados anos, é mesmo quem detestava caracóis que me leva para uma pratada deles, em dia de chuva, num restaurante escolhido a dedo, entre linda-a-velha e dafundo.
para variar, para quebrar as memórias, uma forma original de começar as férias...
julho 22, 2011
Lucian Freud, 1922-2011
[Lucian Freud, autoretrato]
Instructions to Painters & Poets
I asked a hundred painters and a hundred poets
how to paint sunlight
on the face of life
Their answers were ambiguous and ingenuous
as if they were all guarding trade secrets
Whereas it seems to me
all you have to do
is conceive of the whole world
and all humanity
as a kind of art work
a site-specific art work
an art project of the god of light
the whole earth and all that's in it
to be painted with light
And the first thing you have to do
is paint out postmodern painting
And the next thing is to paint yourself
in your true colors
in primary colors
as you seem them
(without whitewash)
paint yourself as you see yourself
without make-up
without masks
Then paint your favorite people and animals
with your brush loaded with light
And be sure you get the perspective right
and don't fake it
because one false line leads to another
(...)
And don't forget to paint
all those who lived their lives
as bearers of light
Paint their eyes
and the eyes of every animal
and the eyes of beautiful women
known best for the perfection of their breasts
and the eyes of men and women
known only for the light of their minds
Paint the light of their eyes
the light of sunlit laughter
the song of eyes
the song of birds in flight
(...)
And when you've finished your painting
stand back astonished
stand back and observe
the life on earth that you've created
the lighted life on earth
that you've created
a new brave world
[Lawrence Ferlinghetti, How to Paint Sunlight, New Directions 2001]
[Lucian Freud, s/ título, 1990]
Miolo:
de mãos com alma
0
comments
maio 28, 2011
Gardenia [Les Ballet C de la B]
ontem deambulava pela cidade quando passei pela porta de um cabaret, o Gardenia. porta entreaberta, ouviam-se as notas langorosas, mas calorosas, de uma orquestra que se despede. fiquei ali a espreitar.
uma figura alta, esbelta - soube depois que era a Madama - cantava com a sua voz muito grave, sentida.
parece que ontem foi o último dia do Gardenia. fechou.
com Madama, a sua família Gardenia, reunida em torno do palco que acolheu as suas vidas e fantasias. espreitei essa despedida. o palco foi de tod@s, e brilharam, deslumbrantes. estavam muitos olhos presos àquele palco, enfeitiçados. e perante eles desfilou a metamorfose explosiva de quem é empurrado a viver o seu sonho e o seu ser em cima de um palco: sob os holofotes, o deslumbramento, a alegria, com pequenos apontamentos a chamar a tristeza e a solidão, outros a gargalhada.
quando o desespero e a solidão se instalam no centro do palco, Madama esclarece que vivemos para coleccionar os raros momentos de felicidade e concretização, aqueles que ainda que não se repitam, dão a energia necessária para aguentar a rotina e os dissabores das nossas vidas.
uma figura alta, esbelta - soube depois que era a Madama - cantava com a sua voz muito grave, sentida.
somewhere over the rainbow skies are blue
and the dreams that you dare to dream really do come true.
...
somewhere over the rainbow bluebirds fly
birds fly over the rainbow, why then, oh why can't I?
birds fly over the rainbow, why then, oh why can't I?
parece que ontem foi o último dia do Gardenia. fechou.
com Madama, a sua família Gardenia, reunida em torno do palco que acolheu as suas vidas e fantasias. espreitei essa despedida. o palco foi de tod@s, e brilharam, deslumbrantes. estavam muitos olhos presos àquele palco, enfeitiçados. e perante eles desfilou a metamorfose explosiva de quem é empurrado a viver o seu sonho e o seu ser em cima de um palco: sob os holofotes, o deslumbramento, a alegria, com pequenos apontamentos a chamar a tristeza e a solidão, outros a gargalhada.
quando o desespero e a solidão se instalam no centro do palco, Madama esclarece que vivemos para coleccionar os raros momentos de felicidade e concretização, aqueles que ainda que não se repitam, dão a energia necessária para aguentar a rotina e os dissabores das nossas vidas.
o final foi apoteótico.
[@Luc Monsaert]
Miolo:
de mãos com alma,
teatro e dança
0
comments
maio 26, 2011
telurismo
no verão de 2008 passei por Monsanto da Beira. terra encantadora. já vi escrito em vários locais que é a "terra" mais portuguesa de Portugal. não concordo, mas tem, sem dúvida, os seus encantos. impossível ser indiferente à coexistência dos penedos e dos homens que os procuraram habitar, construindo casas em seu redor, erguendo um povoado aos pés de um castelo esvaziado de onde a vista pode alcançar o descer do sol através da serra da gardunha, ou do moradal. e se agora é pitoresca e turística, o realizador Manuel Guimarães propõe um olhar bem mais assustador, ainda que encantador, no seu "Crime da Aldeia Velha", adaptação da obra de Bernardo Santareno, supostamente escrita a partir de um caso real ocorrido em Marco de Canaveses... Manuel Guimarães não poderia ter escolhido melhor local de filmagens. ao que consta, a maioria do elenco era constituído, à data, por habitantes de Monsanto. a fotografia é fantástica.
uma pequena amostra
[O crime da aldeia velha, de Manuel Guimarães,1964]
Miolo:
cinema,
imagens,
leituras
0
comments
março 12, 2011
Rosas Danst Rosas [Anne Teresa de Keersmaeker]
criação minimalista, sublime, datada de 1983. emoções e movimento.
visitou o CCVF recentemente, no GUIdance.
fica aqui registado em versão bem mais intimista:
visitou o CCVF recentemente, no GUIdance.
fica aqui registado em versão bem mais intimista:
[unpazzogiudizio@youtube, portal a manter debaixo de olho...]
Miolo:
imagens,
teatro e dança
0
comments
março 11, 2011
fevereiro 27, 2011
fevereiro 24, 2011
noticias de ka para a
voltaram os tons cobre aos fins de tarde da invicta. os "gaivotos", há meses, pequenas manchas cinzentas escondidas na gravilha da cobertura do edifício, esvoaçam agora em espiral entre os prédios, com mestria, com confiança. preparam-se para o verão.
notícias, dispensam-se, não mudam de dia para dia, só se agravam. a azáfama, é a mesma de sempre.
há gatas à solta por aqui. vão perder o anonimato em breve.
notícias, dispensam-se, não mudam de dia para dia, só se agravam. a azáfama, é a mesma de sempre.
há gatas à solta por aqui. vão perder o anonimato em breve.
fevereiro 07, 2011
Motofonia [Fernando Mota]
[@Motofonia.wordpress.com]
Motofonia, foi uma fantástica descoberta numa noite fria e húmida de Fevereiro, na Póvoa de Varzim.
Motofonia é uma excelente desculpa para levar os miúdos, os sobrinhos, os graúdos, os nossos próprios sentidos, ao mundo das mãos com arte e engenho, guiados pela perspectiva de um criador de sons e ambientes emoto-visuo-auditivos, com muita acção musical e movimento. mais, Motofonia é uma demonstração do poder criativo do seu autor, e espicaça os presentes a tomar de assalto a tabla rasa em palco ou então a produzir fantásticos sons: é de chegar a casa, assaltar a cozinha e a garagem e a arrecadação, e dar novos usos aos objectos do quotidiano.
Motofonia é obra criativa de Fernando Mota, "compositor, multi-instrumentista, artista sonoro e aprendiz de inventor de instrumentos musicais experimentais".
Motofonia anda a correr o país, e se passar por perto de vós, nada de desperdiçar a oportunidade de apanhar a boleia dos sons. com ou sem miúdos! com miúdos, há também a partilha do "aaahhhhhhhhhh!" de espanto e descoberta, assim como da gargalhada desprendida.
27 Fev: Sesimbra – Cine-Teatro João Mota
12 Mar: Alcobaça – Cine-Teatro
19 Mar: Sobral de Monte Agraço – Cine-Teatro
29 Mai: Leiria – Teatro Miguel Franco
Miolo:
de mãos com alma,
sons
0
comments
Tabla Rasa [Fernando Mota]
amostras sonoras da Tabla Rasa de Fernando Mota nas várias faixas - sugiro a 6 e a 7!
(entre outros instrumentos...)
(entre outros instrumentos...)
Miolo:
de mãos com alma,
sons
0
comments
janeiro 17, 2011
Às Artes, Cidadãos! [Serralves, até Março 2011]
na foto, uma palavra em mural, escrita a cabelos colados [António de Sousa, Sem título, 2010], criando um belo efeito felpudo, gigante na sala central da exposição de Serralves. nas outras fotos, o famoso cão Loukanikos, com direito a facebook youtube blogs páginas web e outros afins, lembrando que tanto pode o gervásio reciclar, como um cão impor a sua presença e solidariedade, senão mesmo a voz de comando, nas fileiras da frente dos movimentos activistas actuais. no fundo, não é o cão o melhor amigo do homem?...
dezembro 31, 2010
dezembro 19, 2010
dezembro 03, 2010
quebrar o gelo
o kasca deixou-se invadir por uma brisa precoce, fria, outonal, silenciosa. como o silêncio a que me apetece devotar. vontade de aprender tanta coisa, mas sinto os neurónios em declínio e as horas racionais do dia a evaporar.
há dias diferentes. uma tarde arrastada para fora do antro vici(ado)/(ante) de trabalho, e dou por mim em mergulho numa nuvem de assador de castanhas de rua, friccionando as palmas das mãos à espera de um cartucho de quentes e boas. bem assadas. dispenso o truque recentemente aprendido do murro certeiro que descasca castanhas num abrir e fechar de olhos. eram mesmo quentes e boas.
pequenos prazeres de outono, à espera, numa esquina. e uma vontade enorme de os desenhar...
faça-se do silêncio um espaço um pouco mais preenchido:
[Arvo Part, Alina, Spiegel im Spiegel]
(continuo a cruzar-me com espelhos)
outubro 07, 2010
outra Coisa que Nunca [Inês Lourenço]

PARA UM ESPELHO
Cansado de reflectir a imagem alheia,
despenhei-me no soalho
ao encontro da minha.
[in Coisas que Nunca, Inês Lourenço]
Miolo:
de mãos com alma,
leituras
0
comments
outubro 04, 2010
algumas Coisas que Nunca [Inês Lourenço]
SALA PROVISÓRIA
Nunca se sabe
quando estamos num lugar
pela última vez. Numa casa
que vai ser demolida, numa sala
provisória que vai encerrar, num velho
café que mudará de ramo, como
página virada jamais reaberta, como
canção demasiado gasta, como
abraço tornado irrepetível, numa
porta a que não voltaremos.
[in Coisas que Nunca, Inês Lourenço, 2010]
Miolo:
de mãos com alma,
leituras
0
comments
Subscrever:
Mensagens (Atom)



