junho 27, 2009

da terra*, com gosto!

[* restaurante vegetariano em Matosinhos City]

um espaço acolherdor, algo minimalista, a oferecer sabores variados servidos em modelo de "buffet".



pontos fortes:
- pratos frios a desafiar o paladar e a sugerir novas combinações (salada de rucola com figos frescos, espetadas de seitan e batata doce, ...)
- o bolo de bolacha (há quanto tempo não punha a colher num bolo de bolacha tão bom!)

menos positivo, apenas o embate inicial de um espaço que merecia um pouco mais de ventilação.

logo ali ao dobrar da esquina!

junho 21, 2009

alentejo e caramelos

Com o calor, revivem-se as sensações do Verão Alentejano.
Boa altura para recordar um excelente filme de animação (ver trailer de 1min! - clicar na imagem)

junho 14, 2009

corrente de ar fresco num imaginado quente feriado de Agosto

[Pranzo di Ferragosto, Gianni Di Gregorio, 2008]

cinema à minha medida: actores ao natural - serão mesmo actores? - ambientes reais, boa disposição, uma perspectiva optimista do tudo-se-resolverá, e um fundo sonoro de traços tradicionais aventurando-se por um jazz-folk ligeiro, perfeito, de Ratchev & Carratello.

O Almoço de 15 de Agosto tem ingredientes para reflectir. O gosto pela Culinária simples, mas saborosa, o vinho branco a aligeirar o espírito, o papel das velhas senhoras na vida familiar, a recusa do envelhecimento -mental?- e a busca tardia do divertimento, a cumplicidade, a matreirisse, o gosto pelo cuidado do corpo, a exuberância, a psicologia no regresso à infância da velhice...

é tarde para recomendar, porque já quase toda a gente viu.


ps: aos senhores da empresa de legendagem Sub-Ti, recomenda-se a leitura de "Os três Mosqueteiros" de Alexandre Dumas, com a esperança de que descubram que afinal Dartacão não era um Cão, mas Homem, não cão feito homem, mas Homem feito Conde, e de nome Conde d'Artagnan... raciocício tortuoso e propositado.

maio 30, 2009

quem me dera poder gritar assim no trabalho...






... com tamanha concentração, eficiência e prazer.... aaiiii!

a notícia saiu a 29 de maio no dn. gritos à parte, temos tenista!

maio 11, 2009

koyaanisqatsi [Godfrey Reggio]

ko.yaa.nis.qatsi (da língua dos índios Hopi),
n. 1. vida louca.
2. vida tumultuosa.
3. vida em desintegração.
4. vida desequilibrada.
5. um estado de existência que exige outro modo de viver.

o filme, do americano Godfrey Reggio, foi produzido entre os anos de 1975 e 1982, e é o primeiro da trilogia QATSI. flui de ambientes naturais quase intocados pelo homem, de belas imagens fotográficas, numa dança constante e imponente ao ritmo complexo da natureza, para o caos da vida urbana, das rotinas, da industrialização. pela abordagem, tem o seu toque de visionário para as reflexões ambientalistas do século XXI e toca com todo o mérito o visionário sociológico que foi Fritz Lang com o seu Metrópolis. acima de tudo, um bom ponto de partida para reflexão, com a envolvência da banda sonora de Philip Glass.

a oportunidade para ver esta preciosidade foi lançada pelo (sempre) desafiante gato vadio. a ver se por lá se verá o resto da trilogia...

entretanto ficam as profecias Hopi relembradas no filme:
- se escavarmos coisas preciosas da terra, chamaremos o desastre.
- perto do dia da Purificação, haverá teias de aranha prolongando-se de um lado ao outro do céu
- um recipiente de cinzas poderá um dia cair do céu e poderá queimar a terra e agitar os oceanos
[www.koyaanisqatsi.org]





maio 07, 2009

Henrique Pousão

26 Março - 28 de Junho /2009
Museu
Nacional Soares dos Reis

“Esperando o Sucesso” - O Impasse Académico
e o Modernismo de Henrique Pousão

“Esperando o Sucesso” Henrique Pousão 1882
Pintura a óleo s/ Tela 131,5 x 83,5 cm

abril 30, 2009

gata sudoka

se os gatos domésticos escolhem os seus donos tornando-se imediatamente donos dos donos, se herdam ou mimetizam ou têm à partida as mesmas características dos seus anfitriões, se têm ainda a capacidade e/ou virtude de proteger e guardar o espaço por ambos ocupado, se se se...
... então... está justificada a razão que levou a que o sudoku - que me tem acompanhado pelos cantos da casa em tentativas bem sucedidas de esquecer a pilha de pontas soltas para resolver na cabeça e na secretária - tenha aparecido misteriosamente num canto obscuro da casa, no chão: a khalu esteve a tentar dar-me uma mão para resolver o difícil problema do momento. mostrou-me um 6 que desvendou a quase totalidade dos espaços até então indefinidos.

moral da história: tenho uma gata sudoka.

abril 20, 2009

ideias soltas sobre a perda... e outros devaneios

desafio à memória... reavivar de laços... sentimento de saudade... histórias de infância... aprender a ausência... a morte só é dura para os vivos... preencher o vazio... reconquistar espaço... a morte, dura, inclemente, quando se instala através de longa doença, quando o corpo teima em resistir, de tão agarrado ao mundo que se prepara para deixar.

mês de perdas... e o tempo que se escôa velozmente pelos dedos. os nervos à flor da pele. irritação latente. o trabalho, pequenas tormentas constantes sempre a remoer a paciência, até à exaustão. ausência. valorizar pequenos prazeres. identificar pequenos alertas. pequenas insónias. curtas mensagens por enviar.

[20/3 e 20/4]

março 31, 2009

our daily bread [N. Geyrhralterm]

AVISO
esta kasca poderá
ferir susceptibilidades

[clicar na imagem para webpage do projecto]

passou recentemente na RTP2, tarde e a boas horas, o documentário de Nikolaus Geyrhralterm Our Daily Bread (O Nosso Ganha-Pão). um documentário para alimentar discussão. filmado como observador anónimo de uma série de processos industrias de produção de alimento, quer animal quer vegetal, mostra uma realidade que deve ser desconhecida à maioria das pessoas. eu não conhecia, embora já me tivessem descrito algumas das "técnicas" aqui filmadas. não há locução, não há mensagem verbalizada. apenas essa viagem silenciosa, a dar espaço para a reacção/interpretação pelo observador.

não quero sugerir a visualização do documentário como uma apologia do vegetarianismo. seria demasiado reducionista. o planeta tem um número suficiente de habitantes para justificar a necessidade destes processos industriais de produção. mas o tratamento dos animais de forma tão insensível não me deixa nada indiferente. e há tanto excesso e desperdício, e vê-se com tanta frequência a desvalorização do produto acabado...
Ficha Técnica: Duração: 92M Realização: Nikolaus Geyrhralterm



março 17, 2009

[Manuel Alvess]


Manuel Alvess deixou-nos. chegou-me a notícia por telefone.
[notícia no Expresso]

já por aqui deixei registadas as minhas impressões e um pouco do
sentimento e surpresa suscitados em Serralves. recupero agora mais
três imagens dessa exposição. este belo instrumento, já antes mencionado,
uma régua de escala customizada, e estes dois jarros metafísicos.
fico a imaginar Alvess por detrás de um espelho a descobrir outras
dimensões nas realidade do quotidiano, essas que se nos escapam
por entre a pressa dos dias, por entre os dedos.


[ka08@serralves, Propreté de Paris, 1997-2007]


[ka08@serralves / esq: Ecrou papillon nº3, 1969-90; dir: De la rivalité mimétique et du meurtre fondateur, 2007]



março 07, 2009

noticiado na TVI, hoje

[aqui] Polémica no Brasil

igreja católica excomunga menor de 9 anos por abortar de gémeos.

-------------------------------------

não sei o que é mais polémico nesta história, tão bem sumarizada nesta frase de rodapé:
- uma menor engravidar com 9 anos?
- uma menor passar por um aborto com 9 anos?
- a igreja católica excomungar uma menor?
- a igreja católica ser cega à realidade de uma menor de 9 anos?
- a obsessão da igreja católica com o aborto?

e o que não está no rodapé:
- que a menor ficou grávida vítima de violação
- que o violador da menor era o seu padrasto
- que a menor era abusada pelo padrasto desde os 6 anos ...
- que a igreja católica parece ser indiferente a tudo isto...

que diferença me faria se, fosse eu menor de 9 anos, fosse excomungada pela igreja católica? que raio de Deus se preocupa mais com o acto de abortar, do que com a integridade física, psicológica, emocional, de uma menor, miúda, de 9 anos, sua pressuposta seguidora? qual o significado, nos dias que correm, da excomungação? não há causas "melhores" para a igreja católica investir as suas energias?

a Polémica, sr. jornalista, não está no Brasil. a polémica devia intitular-se: Excomunhão Polémica!


só por curiosidade, amanhã, dia 8, é dia da Mulher. portanto,
também é dia dessa menor de 9 anos, excomungada pela igreja católica por abortar de gémeos...



março 04, 2009

café da manhã...

(passe a publicidade, pacotes de açucar distribuídos pela Torrié)

... acompanhado de mensagens subliminares:

março 03, 2009

paella




ingredientes:

-400g carne de porco
-800g frango
-1dl azeite
-100g bacon
-100g chouriço
-1 cebola
-2 dentes de alho
-1 folha de louro
-100g camarão c/cabeça, descascado
-300g mexilhão
-100g ervilhas
-300g arroz
-6dl de água
-1 cubo caldo galinha
-sal, pimenta e açafrão qb






preparação:

- alourar os pedaços de frango e porco no azeite, com um pouco de sal e pimenta. depois adicionar cebola e alho picados e a folha de louro. quando a cebola ficar transparente, adicionar o camarão e o mexilhão. em seguida adicionar ervilhas e o arroz, dar-lhes calor envolvendo a mistura com cuidado para não pegar. açafrão a gosto. deitar o caldo de galinha, envolver.
- aquecer o forno a cerca de 200ºC.
- quando o caldo ferver na paellera, mudá-la para o forno, onde deverá ficar cerca de 15min, até o líquido evaporar.

a imagem final não fica aqui, para surpresa da magnífica iguaria que sairá do forno...

fevereiro 26, 2009

transcendências

há cidades que nos acolhem e re-acolhem a cada regresso. locais onde se volta sem de lá ter saído. ruas onde o cérebro comuta automaticamente para o sentido correcto dos passos. gestos apreendidos, rostos que se reconhecem mesmo sem palavras trocadas. fica sempre a sensação de agenda não-cumprida, coisas adiadas para a próxima visita. desta vez, além trabalho, do wet-british-kentish weather, do frio e do aconchego, Canterbury foi a solenidade do serviço religioso Evensong, com o cair da noite, na nave central da Catedral da Cantuária. Brutal!

não se descreve a madeira a reverberar sob os pés em consonância com os sons do orgão de tubos que, de tão graves, eram quase imperceptíveis ao ouvido; o corpo envolvido pelos sons sussurados de uma cadência plagal cantada a quatro ou mais vozes pelo coro da catedral, terminando um dos hinos do serviço religioso, espalhando-se pelas arcadas, naves, pelo espaço solene tão majestosamente pensado por comuns mortais; não se explica o arrepio. de olhos fechados ou abertos, mostras do génio humano transcendido a penetrar-nos o corpo/alma. chame-se a tudo isto obra de inspiração divina. eu contraponho a ideia de Homem auto-divinizado. por uma segunda vez, brutal.

[ka@canterbury,uk_09]

suspiro de noz*

as nozes de Trás-os-Montes têm monopolizado as minhas refeições matinais.
diz o anúncio: o que é nacional é bom!
e são mesmo. recomendam-se!

o resto dos dias tem sido uma correria.
nem tempo para vir aqui deitar umas kascas...



* que bela ideia de sobremesa...

fevereiro 18, 2009

a propósito de palavras (algumas difíceis), a propósito de O'Neill



Animais Doentes

Animais doentes as palavras
Também elas
Vespas formigas cabras
De trote difícil e miúdo
Gafanhotos alerta
Pombas vomitadas pelo azul
Bichos-de-conta bichos que fazem de conta
Pequeníssimas pulgas uma sílaba só
Lagartos melancólicos
Estúpidas galinhas corriqueiras
Tudo tão doente tão difícil
De manejar de lançar de provocar
De reunir
De fazer viver

Ou então as orgulhosas
Palavras raras
Plumas de cores incandescentes
Altos gritos no aviário
E o branco sem uso
Imaculado
De certas aves da solidão

Para dizer
Queria palavras tão reais como chamas
E tão precárias
Palavras que vivessem só o tempo de dizer a sua parte
No discurso de fogo
Logo extintas na combustão das próximas
Palavras que não esperassem
Em sal ou em diamante
O minuto ridículo precioso raro
De sangrar a luz a gota de veneno
Cativa das entranhas ociosas.

[Alexandre O'Neill, No Reino da Dinamarca]



["O'Neill à Mesa - 15/2, Gato Vadio - Porto", Marita Ferreira]

fevereiro 11, 2009

boa forma de começar o dia*...

*... ainda que o dia tenha sido ontem!
[de curto email inesperado e simpático]

janeiro 31, 2009

Safety [Lúcia David]

que faz uma lâmina de barbear dentro de uma caixa de metal de bolachas maria, na companhia de um pequeno urso, caixa com uma pequena janela para uma máquina de calcular electrónica?...


Safety, Lúcia David (2008)
[urso, caixa bolacha maria, lâmina, foto máquina de calcular]



era uma vez uma menina, diziam-na rufia, por passar os seus dias, silenciosa, a brincar pelos quintais. o seu brinquedo preferido era um pequeno urso de peluche que uma tia, também dita rufia por estar sempre meio ausente, lhe oferecera numa das suas aparições relâmpago. a menina sabia que as tardes pelo quintal estavam a chegar ao fim. a escola estava prestes a começar, e com ela as responsabilidades dos trabalhos de casa, o fim das brincadeiras. para marcar o evento decidiu-se por um lanche com o seu amigo urso - o colargol. sorrateiramente levou a caixa de bolachas-maria escondidas no fundo da prateleira da despensa, agarrou no seu porquinho mealheiro, um molho de revistas - dá sempre jeito ter papel por perto... já em plena clareira apercebeu-se que com a caixa das bolachas vinha agarrada um conjunto de recargas das lâminas de barbear do seu pai. a cada bolacha partilhada com colargol a menina entretinha-se a fazer as revistas em farripas! cortes precisos, intencionais, outros ladeando as lindas figuras de manequim em pose, ou então de outros pequenos objectos. arranjava novos amigos para o colargol. quando as bolachas se acabaram, à mesa já estava sentada uma grande família de barbies, tuchas, barriguitas e afins, parecia um autêntico batalhão feminista, munido de um interessante conjunto de ferramentas laminadas pela gillete nas revistas: faqueiros, jogos de toalhas, conjuntos completos de maquillage, perfumes, canetas e adereços, viaturas e máquinas de calcular. Tudo e todas prontos para lutar pelos direitos da sua anfitriã! quando tocou a sineta do “monte” a pequena percebeu que não lhe restava muito tempo. o reencontro com as tardes do quintal teria de esperar meses, talvez anos. efectivamente, ao fim de uns bons anos a lata foi desenterrada entre raízes de uma azinheira. Foi no dia em que a pequena, agora crescida, sentiu o desamparo da perda e foi impelida a reconquistar a segurança desses tempos de criança. lá dentro apenas o cheiro ligeiramente bafiento de terra e bolachas maria, um urso de peluche sorridente, a foto de catálogo da máquina de calcular que ainda hoje usa na sua secretária de trabalho. e uma lâmina. a segurança de saber que poderia terminar quando assim o entendesse. ainda não era esse o momento. encostou-se à azinheira, com o urso colargol no seu colo, ambos contemplando o fim de dia a queimar a linha do horizonte. [ka@ago08]



janeiro 27, 2009

e.e. cummings, revisitado




somewhere i have never traveled,gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will enclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skillfully,mysteriously)her first rose

or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands

e.e. cummings
... de W [ViVa] (1931)

[ viii, em xix poemas, Assírio e Alvim]

janeiro 23, 2009

porto de aconchego


[ka@castelo de queijo&rua do almada_jan09]