novembro 17, 2009

Aheym, Bryce Dessner, Kronos Quartet

os manos, conheci-os através dos The National. o nome do mano Bryce saltou num concerto recente de Kronos Quartet, quando se anunciou a autoria de uma das peças da noite, Aheym.

precisei de um certo tempo para procurar mais informação sobre as composições de Bryce. os Kronos continuam em digressão, e sem dúvida que já não são só os Sigur Ros, por eles magnficamente interpretado, que despertam muita curiosidade. Aheym é sempre uma das peças de cartaz.

já lá vão meses, e não posso recordar a música. lembro-me apenas do desafio ritmado e da simultânea introspecção acelerada a que a música transporta. vou ter de esperar ainda mais um pouco para a poder rever na net ou em cd.

entretanto, deixo outros sons dos manos Bryce e Aaron Dessner [MusicNOW 2009 Impromptu Jam - Bryce & Aaron Dessner, Richard Reed Parry from Jesse King on Vimeo]

.


braseiro matinal

cinco graus lá fora - dorme-se fundo desse lado, mas aqui um novo dia começa - queima
imagens roubadas a um discreto amanhecer - de arrancar um sorriso longo - preguiçoso

[ka@Bremen09]

jardim zoológico de cristal [Tenesee Williams ]

Tennessee Williams nos palcos portugueses, encenado por Nuno Cardoso, e com Maria do Céu Ribeiro, Micaela Cardoso, Luís Araújo e Romeu Costa.

não deixar escapar!



braga, theatro circo, 20 e 21 de novembro
porto, estúdio zero, 3-13 de dezembro
aveiro, teatro aveirense, 19 de dezembro
lisboa, teatro taborda, 6-16 de janeiro (10)
portimão, teatro, 23 de janeiro (10)

mais informações aqui...

outubro 21, 2009

prelúdio de outono

e tudo se juntou em minutos - sons - imagens
palavras - cores - emoções - histórias
realidade - ficção


imagens mentais - uma sala na penumbra, chão em madeira escura, envernizada mas muito antiga - presente, a mancha escura da porta da fuga , invisível - um rasgo de luz dourada, iluminando o chão - uma mão em choque a rasgar o dia a luz a confusão a casa subitamente esvaziada - uma chave abandonada bem no centro dessa mancha de luz - chave em que se condensam décadas de proximidade, uma mentira, ou uma promessa - arrepio - chega o outono

sons mentais - uma voz distante - telefone - a inflexão na voz - a promessa do fim - o 'não dito' mais claro alguma vez ouvido a reverberar - a 'questão'

o baixo em quíntuplas, as palavras e o som repescado da caixa, embalo reconfortante...

[Beth Gibbons & Rustin Man]
[Drake (Out Of Season)]

o contraste da luz com sol bem dourado ao longo da estrada, entre plátanos ainda vestidos. circunvalações reais e outra vez mentais.

o início de uma tarde de outono, a estação.

gravar na alma: é pela perda que nos encontramos.

novamente a voz de beth gibbons a contornar as ideias, levemente, pacificando todas as sensações, em quíntuplas no baixo.


...

...Turning now she caught his eye For all he knows he cannot see Pleasures smoulder inside Cover seasons that fell from view Long ago

Blame on your heart But then you know that now What do you do You hide lies inside Why do you do that I don't know why How long did i know you For i don't know why you had to go If only you had told her The words to enfold her Long ago

She took a breath and she never spoke The words that tasted like to know she told a matinee
There was an odour/Unannounced anyway But you can take and you can see There's never enough of love for destiny Don't look back from day to day What i noticed wasn't me Strangers they'll part again They'll never know For all the years they've disguised inside Knowing their years of loss remain

How long did i know you For i don't know why you had to go If only you had told her The words to enfold her Long ago

setembro 22, 2009

sotaque, em português galego [belém de andrade]


este poema foi achado numa visita à galiza (ourense),
declamado pela autora com muita e boa "solêra".
uma mostra da influência e gosto pelo português, na galiza.
a dedicação à causa da lusofonia ficará para depois...


Eu queria ter sotaque da costa
chamar-te corasom e falar-te ao ouvido de gaivotas
ondas de dois a quatro metros

marujia e mar de fundo.
Queria levar-te na barca barca num dia de sol,
ensinar-te a pescar e chamar cada peixe pelo seu nome

faneca, castanheta, maruca, andorinha do mar.
Queria ter sotaque da costa.
No lugar disso
tenho-te que dizer que ardeu o monte que minha mãe herdou de meu avó,
esse no que andava-mos as pinhas cada verão;

minha tia trazia um saco grande de papel para cada um,

os que comprava com a farinha para os porcos.
Agora não tem porcos.

No mar ainda há peixes!

Queria saber o que sentem os meninos da costa
quando seu pai embarca para regressar só no Natal

deixando-os com a sua mãe.

Meu pai embarcou sim mas ele embarcou no aeroporto de Santiago
e voltava uma vez por ano,
com minha mãe

porque ela
embarcou com ele.

Mas eu não tenho sotaque da costa.
Será coisa de minha mãe ter embarcado com ele;

se calhar
o sotaque o transmitem as mães,
não sei.

Havia uma parte do monte
que mesmo parecia costa
caminhavas, e no final
as rochas frias rompiam no bacio de jeito vertiginoso,
nos dias de sol em que o ceo era azul,

para mim era o mar.
Na costa ainda há mar.
Queria ter sotaque da costa
para falar com minha mãe de como eram as suas viagens,
de quando meu pai voltou na adega do avião,
e dos dias
nos que o sotaque do interior
ainda estava vivo.


Belém de Andrade, 34 anos, poeta desde os 11, recita poesia por toda a Galiza e Portugal, colaboradora em publicações escritas e blogues com outros autores galegos.

agosto 29, 2009

sobre mimos

há Aquele dia em que assumimos uma certa responsabilidade, caída do nada. um toque de botãozinho interior tão delicado e escondido, certeiro, impossível dizer não, difícil ignorar. como outras decisões ou factos da minha vida, a khalu trouxe consigo um conjunto de momentos hilariantes, ternurentos, teimosias, feitios, gostos, tendências, dificuldades. no dia em que nos conhecemos encontrámos quase instantaneamente um certo equilíbrio e entendimento taisl que, ainda que hajam marcas de unhas em portas que d. gata não gosta de ver fechadas, ou hajam protestos e dentadinhas refilando com alguma falta de atenção, o balanço tem sido muito positivo. esta kasa não seria a mesma sem a sua presença. isto é um facto.
talvez por isso, nestas últimas semanas nunca pensei que a khalu poderia não voltar a casa, ou que quando voltasse não seria ela mesma, com as suas manhas, miados, brincadeiras, refilados e mimos. ela é um mimo e mimamimamima. já em kasa há dias, mas a caminhada ainda vai ser longa até que eu a deixe em paz. agora, várias vezes por dia, tem-me "às pernas". e ela responde. e treme. e reage. e vai recuperando, ao seu ritmo. no fim de cada uma das três vezes de uma hora de atenção dedicada que recebe durante o dia, fica assim, muscularmente cansada, mas um doce, um mimo, um reconforto. depois de tudo isto, quero ver como ambas vamos fazer o desmame de tanto mimo cruzado......

agosto 28, 2009

política portuguesa vista de fora

numa análise - a meu ver - bem resumida da situação política portuguesa actual escreve Jordi Joan Baños este parágrafo:

Mención especial merecen los carteles de Ferreira Leite que jalonan las carreteras portuguesas. "Não desista. Todos somos precisos", reza. Pero la desolada foto en blanco y negro de la candidata, sin maquillar, podría hacer pensar a los turistas que visitan el Algarve que se trata del mensaje de una asociación de apoyo a la tercera edad o de prevención del suicidio.

agosto 23, 2009

dedilhados

o meu braço torcendo para te chegar em mimos dedilhados a verde...
[ka@Ponte de Lima_ago09]

agosto 11, 2009

"work" in progress...

[ka@maio 08]
khalu, quando tudo acabar, vou reclamar por publicidade enganosa. as tuas 24h não são iguais às minhas.... vamos! despacha-te!

agosto 03, 2009

almofadinhas


dedos brincando como leques entre teclas brancas e pretas, jogos de "apanhadas". almofadas dos dedos, esborrachadas contra as teclas, num desafio de ritmo, velocidade. e de tudo isto resultar uma mágica articulação de sons, a pressão sob a ponta dos dedos, o gozo de terminar a corrida sem atropelos e com muitos desvarios.


julho 28, 2009

novas linhas em construção, novos ares

[jul09, novo terminal do aeroporto de Dublin, em construção]

julho 14, 2009

somewhere across ireland

somewhere between dublin, rain, and galway[ka@ie, 07/09]

rain drops cristal clear brush strokes caressing the glass
unveiling images of an imagined hyperform
formless feeling volumeless idea weightless emotion
light and possibly cold
- metal over skin -
cosy and colourful: a huge spontaneous hug
warmth - thoughtfulness - presence - sharing - silence

possibly
aka
k
a
s
a

julho 09, 2009

Si se puede / Yes we can : perigosamente parecidos!

faz umas semanas passou Our Brand is Crisis, de Rachel Boynton, no Gato Vadio, e infelizmente, pelo tardio da hora, não houve energia e disponibilidade para o colocar a debate.



é inquietante ver a execução prática de todas as teorias manipulativas de opinião pública (política) que normalmente apenas se imagina existirem. ali, estranhamente a crú e de forma assumida, documenta-se o trabalho de uma equipa de estrategas americanos da empresa Greenberg Carville Shrum que consegue levar, em 2002, à Presidência da Bolívia o candidato Gonzalo Sanchez de Lozada, conhecido como Goni, saltando no último "minuto" de um 3º lugar para a vitória. trabalho longo, árduo e muito bem conseguido pelos americanos que assim cumpriram o seu papel. no fim, toda a encenação e planeamento não se extendiam às verdadeiras capacidades de liderança do presidente: a Presidência de Goni revela-se desastrosa, tanto quanto o Documentário o mostra, e termina com nova revolução, que a seu tempo leva Evo Morales à presidência com forte apoio popular.

existem muitas questões no ar, mas constantemente relembro o slogan da campanha de Goni, e o som é-me demasiado semelhante a outro slogan bem mais recente.

si se puede

yes we can

espero sinceramente que desta vez as capacidades de liderança estejam à altura da eficiência dos estrategas (serão os mesmos? a Greenberg Carville Shrum esteve por trás das campanhas de Clinton e Kerry...) e que o desfecho traga resultados bem mais positivos. quer se goste ou não goste, a grande nação americana influencia os destinos políticos e económicos deste planeta...

junho 27, 2009

da terra*, com gosto!

[* restaurante vegetariano em Matosinhos City]

um espaço acolherdor, algo minimalista, a oferecer sabores variados servidos em modelo de "buffet".



pontos fortes:
- pratos frios a desafiar o paladar e a sugerir novas combinações (salada de rucola com figos frescos, espetadas de seitan e batata doce, ...)
- o bolo de bolacha (há quanto tempo não punha a colher num bolo de bolacha tão bom!)

menos positivo, apenas o embate inicial de um espaço que merecia um pouco mais de ventilação.

logo ali ao dobrar da esquina!

junho 21, 2009

alentejo e caramelos

Com o calor, revivem-se as sensações do Verão Alentejano.
Boa altura para recordar um excelente filme de animação (ver trailer de 1min! - clicar na imagem)

junho 14, 2009

corrente de ar fresco num imaginado quente feriado de Agosto

[Pranzo di Ferragosto, Gianni Di Gregorio, 2008]

cinema à minha medida: actores ao natural - serão mesmo actores? - ambientes reais, boa disposição, uma perspectiva optimista do tudo-se-resolverá, e um fundo sonoro de traços tradicionais aventurando-se por um jazz-folk ligeiro, perfeito, de Ratchev & Carratello.

O Almoço de 15 de Agosto tem ingredientes para reflectir. O gosto pela Culinária simples, mas saborosa, o vinho branco a aligeirar o espírito, o papel das velhas senhoras na vida familiar, a recusa do envelhecimento -mental?- e a busca tardia do divertimento, a cumplicidade, a matreirisse, o gosto pelo cuidado do corpo, a exuberância, a psicologia no regresso à infância da velhice...

é tarde para recomendar, porque já quase toda a gente viu.


ps: aos senhores da empresa de legendagem Sub-Ti, recomenda-se a leitura de "Os três Mosqueteiros" de Alexandre Dumas, com a esperança de que descubram que afinal Dartacão não era um Cão, mas Homem, não cão feito homem, mas Homem feito Conde, e de nome Conde d'Artagnan... raciocício tortuoso e propositado.

maio 30, 2009

quem me dera poder gritar assim no trabalho...






... com tamanha concentração, eficiência e prazer.... aaiiii!

a notícia saiu a 29 de maio no dn. gritos à parte, temos tenista!

maio 11, 2009

koyaanisqatsi [Godfrey Reggio]

ko.yaa.nis.qatsi (da língua dos índios Hopi),
n. 1. vida louca.
2. vida tumultuosa.
3. vida em desintegração.
4. vida desequilibrada.
5. um estado de existência que exige outro modo de viver.

o filme, do americano Godfrey Reggio, foi produzido entre os anos de 1975 e 1982, e é o primeiro da trilogia QATSI. flui de ambientes naturais quase intocados pelo homem, de belas imagens fotográficas, numa dança constante e imponente ao ritmo complexo da natureza, para o caos da vida urbana, das rotinas, da industrialização. pela abordagem, tem o seu toque de visionário para as reflexões ambientalistas do século XXI e toca com todo o mérito o visionário sociológico que foi Fritz Lang com o seu Metrópolis. acima de tudo, um bom ponto de partida para reflexão, com a envolvência da banda sonora de Philip Glass.

a oportunidade para ver esta preciosidade foi lançada pelo (sempre) desafiante gato vadio. a ver se por lá se verá o resto da trilogia...

entretanto ficam as profecias Hopi relembradas no filme:
- se escavarmos coisas preciosas da terra, chamaremos o desastre.
- perto do dia da Purificação, haverá teias de aranha prolongando-se de um lado ao outro do céu
- um recipiente de cinzas poderá um dia cair do céu e poderá queimar a terra e agitar os oceanos
[www.koyaanisqatsi.org]





maio 07, 2009

Henrique Pousão

26 Março - 28 de Junho /2009
Museu
Nacional Soares dos Reis

“Esperando o Sucesso” - O Impasse Académico
e o Modernismo de Henrique Pousão

“Esperando o Sucesso” Henrique Pousão 1882
Pintura a óleo s/ Tela 131,5 x 83,5 cm

abril 30, 2009

gata sudoka

se os gatos domésticos escolhem os seus donos tornando-se imediatamente donos dos donos, se herdam ou mimetizam ou têm à partida as mesmas características dos seus anfitriões, se têm ainda a capacidade e/ou virtude de proteger e guardar o espaço por ambos ocupado, se se se...
... então... está justificada a razão que levou a que o sudoku - que me tem acompanhado pelos cantos da casa em tentativas bem sucedidas de esquecer a pilha de pontas soltas para resolver na cabeça e na secretária - tenha aparecido misteriosamente num canto obscuro da casa, no chão: a khalu esteve a tentar dar-me uma mão para resolver o difícil problema do momento. mostrou-me um 6 que desvendou a quase totalidade dos espaços até então indefinidos.

moral da história: tenho uma gata sudoka.