fevereiro 04, 2012

silk&soul [nina simone]

Cherish


I wish i knew how it would feel to be free...



[HuffPost - blackvoices pop culture, 5 feb 2012]

Maya Angelou: Nina Simone Spoke The Anguish Of Racial Prejudice

With Black History Month in full swing, this month also marks the 79th birthday (February 21) of Nina Simone. In addition to the celebration of Simone's date of birth is the re-launch of her official site, which launched last May under the guidance of her daughter, Simone (Lisa Simone Kelly).
...
Head over to the site on February 8 to view Dr. Maya Angelou's posting in its entirety.


fevereiro 03, 2012

vista com grão de areia [Wislawa Szymborska]

view with a grain of sand
Wislawa Szymborska
We call it a grain of sand,
but it calls itself neither grain nor sand.
It does just fine, without a name,
whether general, particular,
permanent, passing,
incorrect, or apt.

 Our glance, our touch means nothing to it.
It doesn't feel itself seen and touched.
And that it fell on the windowsill
is only our experience, not its.
For it, it is not different from falling on anything else
with no assurance that it has finished falling
or that it is falling still.

 The window has a wonderful view of a lake,
but the view doesn't view itself.
It exists in this world
colorless, shapeless,
soundless, odorless, and painless.

The lake's floor exists floorlessly,
and its shore exists shorelessly.
The water feels itself neither wet nor dry
and its waves to themselves are neither singular nor plural.
They splash deaf to their own noise
on pebbles neither large nor small.

 And all this beneath a sky by nature skyless
in which the sun sets without setting at all
and hides without hiding behind an unminding cloud.
The wind ruffles it, its only reason being
that it blows.

A second passes.
A second second.
A third.
But they're three seconds only for us.

Time has passed like courier with urgent news.
But that's just our simile.
The character is inverted, his hasts is make believe,
his news inhuman.

[tranlated by Stanislaw Baranczak and Clare Cavanagh, faber & faber, 1993]

janeiro 19, 2012

janeiro 16, 2012

Do antes só ao mal
acompanhado
preferimos a verdade, a mentira,
a incoerência de opiniões,
a paz com o diabo
um salto em branco
nas desrazões.

[Helga Moreira, Desrazões, Quasi]

janeiro 15, 2012

ternurento...

restless [gus van sant, 2011]

janeiro 08, 2012

the gift

[The Gift, Me, Myself and I, Fácil de Entender, 2006]

janeiro 04, 2012

Youkali [Ute Lemper]

a minutos de 2012, um sms transporta-me para a voz de Ute Lemper cantando Les Filles de Bordeaux de Kurt Weill. consequentemente, regressei à voz, que aqui partilho em registo intimista, adequado à hora tardia, através desta bela interpretação do tango Youkali  

[Youkali e Les Filles de Bordeaux, canções da obra Marie Galante de Jacques Deval, musicada por Kurt Weill]

janeiro 02, 2012

os dias todos assim [Helga Moreira]

de outra a arte de transfigurar os dias 

Degredos. Outra a arte
de transfigurar os dias.
Por andaimes, torres, correrías,
bocejos frente ao écran, odores
calafetados, um dia,
todos os dias,
para que de real nos sobrem
incandescências e, matizada
de penumbra, a voz.


de inacção

Como se ao partir alcançasse
os dias do regresso, 
finjo
que não há outro modo 
de partir


[Helga Moreira, Os dias todos assim, &ETC, 1996]

dezembro 23, 2011

paisagens no centro de arte moderna da gulbenkian

numa rápida passagem pelo CAM, senti-me como quem regressa a casa de família, 
tanto pelas pessoas como  pelos espaços. de algumas das exposições, 
fiquei contente com a presença promissora de artistas portugueses da minha geração:

Adelina Lopes [1970 - , Braga] / Paisagens: desconstrução dos objectos/ideias, criando concretizações desses mesmos objectos/conceitos  à luz de novas perspectivas. trabalho limpo, minimalista. será que há uma influência assumida de Alvess? há certamente afinidades entre ambos.
(Imagem cheia, fotografia, 2008)

Nuno Cera [1972 - , Lisboa] / Paisagens:
simetrias na paisagem, pequeno ingrediente para alimentar a curiosidade e fazer partir para a descoberta de outros trabalhos não menos imponentes também enquadráveis no tema. retratos do mundo dos nossos dias, com alguma crueza, mas sem sensacionalismos baratos.
(B-sides #11:Túnel, fotografia)

Rui Calçada Bastos [1971 -  , Berlin e Lisboa] / Colecção Permanente CAM:
vários ingredientes que cativam o observador de imediato. o toque retro da imagem preto e branco granulado. o acto camuflado do objecto-captador de imagem. o olhar indiscreto através do espelho-mala. reflexos que se misturam. inconsistência inicial da sobreposição de imagens aparentemente desconexas. os vultos anónimos que se deslocam no plano imagem. muito bom! Depois, uma pagina web cheia de coisas (fotos, vídeos, instalações, textos... ) para descobrir com tempo.
(The Mirror suitcase man, vídeo)

dezembro 03, 2011

lábios sobre a página [josé luis peixoto]

este livro. passa um dedo pela página, sente o papel
como se sentisse a pele do meu corpo, o meu rosto.

este livro tem palavras, esquece as palavras por
momentos. o que temos para dizer não pode ser dito.

sente o peso deste livro. o peso da minha mão sobre
a tua. damos as mãos quando seguras este livro.

não me perguntes quem sou. não me perguntes nada.
eu não sei responder a todas as perguntas do mundo.

pousa os lábios sobre a página. pousa os lábios sobre
o papel. devagar, muito devagar. vamos beijar-nos.

[José Luís Peixoto A Casa, a Escuridão, Temas e Debates, 2002]

novembro 29, 2011

Elegia [Rainer Maria Rilke]

...

Quem é que assim nos virou, de tal forma
que, em tudo o que façamos, estamos sempre na atitude
de alguém que parte? Como esse que parte,
no alto da última colina que mais uma vez
lhe mostra todo o seu vale, se volta, pára, se demora -,
assim vivemos nós, sempre a despedir-nos.

[final da oitava elegia (de Duíno), Rainer Maria Rilke] 
[ Ed. O Oiro do Dia, Porto, 1983, trad. Paulo Quintela]



[outra tradução]
...

Quem assim nos pôs ao invés, de tal maneira
que, o que quer que façamos, sempre estamos
na atitude de alguém que parte? E tal como esse alguém
pára na última colina, que  uma vez mais lhe põe diante
o seu vale, e olha em volta e se detém ---,
assim vivemos nós, em despedida sempre.

[final da oitava elegia (de Duíno), Rainer Maria Rilke]
[Assírio & Alvim, trad. M.Teresa Dias Furtado]

novembro 20, 2011

marlene on the wall [suzanne vega]


[Suzanne Vega, 1985]


novembro 09, 2011

o Credo final [Maria Teresa Horta]

(...)
   Renata encostou o rosto ao peito do marido a tentar escutar-lhe o coração que nem sabia se alguma vez batera mais depressa quando se abraçavam.
   Ficou debruçada muito tempo a olhá-lo, o risco sanguíneo já seco, na pele da cara, a formar uma espécie de cicatriz ou queimadura por onde passou depressa as unhas.
   A tentar pensar com calma.
   A imaginar como seria depois; depois da morte dele.
   Já não era preciso dizer a si própria que o amava: amava-o; garantir a si própria que o amava: amava-o.
(...)
[Antologia de Contos, Com a mão firme e doce, 
Maria Teresa Horta, Dom Quixote, 2009]

chamemos-lhe Credo 2, em 3 [Novas Cartas Portuguesas, 3 Marias]

De como pode a morte ser mais fácil do que o amor.
Ou lamento de Mónica e Maria


"Deixa-me que fuja"
(...)
    Como o sol queima na boca.
    Sufoco, bem vês, sufoco. Esta espécie de sono que me mata, me imobiliza aqui deitada a teu lado, estas paredes por onde passo as mãos até as ferir na cal quebradiça, mordida pelos séculos e os ratos que nela construíram os seus ninhos.
    As tuas costas. As tuas costas meidas de lisura: Tal como o mar corta a pele na fuga. E saber eu seres só tu a me poder ajudar. Repara: tens a chave. A chave que todos os dias rodas com um ruído seco na fechadura oleada, e então a porta desliza nos gonzos, silenciosa...
(...)
    Tua não, presa me tens e por tua me tomas em engano da verdade, bem o tentas e bem o sentes e prisioneira sou da tua liberdade.
   Que tempo me restará ainda?
   Apenas tu o pressentes, mas impassível esqueces e adormeces deitado a meu lado, em hábito tranquilo, meus cabelos afagando com cuidado.
(...)
   Meu amor: e eis que fujo, me apodero de mim. A arma apontada ao teu peito nem sequer parece ameaçadora, mas apenas fria, indiferente, vigilante.


   Meu amor:


   Poder-me-ás algum dia perdoar esta morte?
(...)
15/5/71

[Novas Cartas Portuguesas, Edições D. Quixote, 2010]

novembro 08, 2011

Credo [Enzo Cormann]

[monólogo que surfa nas ondas de Novas Cartas Portuguesas]
[Edições Cotovia, 1990]
(...)

       Pensava portanto nela, ontem na cozinha, e percebia enfim que a maior beleza é sempre silenciosa, e que faltaria sempre à minha vida - como sem dúvida à tua - uma parte de verdadeiro mistério. Por isso, matar-te constituía uma espécie de cerimónia através da qual, imolando-te,  obtinha para sempre silêncio e beleza. Pensava por outro lado que esse gesto permaneceria como o único acto de fé de toda a minha existência. Esta perspectiva serenou-me e comecei a acreditar plenamente na simples suposição de que tinhas cometido um crime tal que eu me devia vingar; e que essa vingança consistiria no teu assassinato. 


(...)
       Sabes, não vale a pena olhares-me dessa maneira. Aliás que poderias tu ver? Não há nada para ver aqui, a não ser um pouco de espaço inerte e frio.
      Eu própria, sabe-lo bem, não sou senão uma colecção de palavras e de ruídos. De saia que se amarrota e de cólera que se retém. De dor também; de ventre, e de cabeças esmigalhadas. 
      Sentes como tudo isso é transparente? Como tudo isso pode subitamente pôr-se a oscilar no ar como penugem? Alguma vez ouviste o mar numa concha? Nada mais do que o ruído do teu próprio ouvido e do que tu queres ouvir. 
      Eu própria não sou senão um pouco de ar cativo de um labirinto abstracto. Um pouco de ar, compreendes? Nem louca, nem só, estás a ver; mas simplesmente ---

novembro 04, 2011

rapaz ou rapariga?

bem... rapariga/menina/moça já há uma. gosta de cor de rosa e de "berlicoques" brilhantes. dizem-me que é normal para a idade, que depois estas coisas desaparecem. como se fosse necessário o excesso para dar espaço ao razoável. não sei, tenho as minhas dúvidas. sempre privilegiei o prático ao estético, sempre preferi calcorrear uma cidade inteira a ficar com o passo preso por uma saia ou um salto enfiado na calçada...descer perigosamente uma estrada inclinada em duas rodas com o alcatrão a ameaçar a ganga, a passear as duas rodas pelo passeio aprumado, de sandália com o dedo grande do pé a espreitar o paralelo...
quanto a rapaz/menino/moço não tenho qualquer experiência, a não ser um primo, aliás, quase dois primos. mas até me parece que um pikeno é capaz de encontrar mais afinidades com uma tia meio esgrouviada. tendo dito isto, não é que me possa queixar da sobrinha-mais-que-tudo. :) venha daí um rapaz, então!

outubro 12, 2011

casa de ferrugem

no alentejo, há casas de pedra isoladas, abandonadas na margem da estrada, planícies douradas quebradas por memórias imaginadas de famílias de outrora.

de facto, certamente existirão casas abandonadas por todo o portugal, mas no interior, aparentemente deserto, essa imagem de isolamento torna a nostalgia mais forte. quase que se ouvem os sons de outrora a quebrar o silêncio macilento.

à beira Douro, também há casas abandonadas. nos sítios mais inimagináveis, pelo menos para quem os contempla flutuando no rio. esta casota, exibindo a ferrugem de um anexo conquistado ao vazio, faz-me invejar a vista, a luz, o silêncio. que histórias ali se terão perdido e que histórias ainda se reiventarão?

outubro 10, 2011

sweet disposition [Temper Trap]

para momentos entre pequenas euforias e pequenas introspecções.


setembro 22, 2011

agosto 12, 2011

dia 12



Though "Do You Remember" is the first chapter released from a short film based to music from Ane’s forthcoming album "It all starts with One", it is the third chapter a the film that houses no fewer than four orchestrated songs, to be premiered in autumn 2011.

(...)

"ONE", as the film is called, is a poetic tapestry incorporating various threads interwoven on several levels, integrating and complimenting Ane’s delicately composed branches between hope, rage and grief.
A heavy period of post-production is now rolling with the other chapters before the film is fully released in the fall.
(...)