dezembro 18, 2008

sonhos... [com Glenn Gould/Bach]

perdida por terras de castelo de vide em pleno agosto, fui fulminada pela concretização do cenário de um sonho algo recorrente. todos os elementos batiam certo, ao ponto do coração acelerar um pouco, em ansiedade, questionando-se se o grande tronco estaria mesmo atravessado na estrada, depois da longa recta, na curva apertada que aqui ainda não se deixava adivinhar. ainda assim, o pé pesava-se sobre o pedal, pedindo uma resposta rápida. mas o carro não era vermelho, tal como no sonho, e eu não estava rodeada de rostos desconhecidos. depois da curva o sonho perdura, sem significado, sem prenúncios, sem fatalismos.

isto tudo para chegar a outro tipo de sonho, os pequenos sonhos que nos levam a vivenciar novas situaçoes, acções e desafios. muitos deles, ficando por realizar, alimentam propósitos e razões de existir. são puras especiarias nas rotinas sensaboronas dos nossos dias. a ansiedade de descobrir o que se revela depois da curva. eu... concretizei um sonho, com a ajuda imprescindível de um grupo de pessoas espectaculares. logo, tenho um sonho a menos. e ainda que o propósito deste sonho não fosse muito importante, sinto que me arranquei um pedaço de mim. não escapei à posterior sensação de queda no vazio.

para já vou preencher um pouco desse pedaço regressando a Bach e a Gould, e vou convencer-me que um próximo sonho digno de substituir o espaço ocupado pelo anterior pode muito bem ser o de um dia vir a passear os meus dedos sobre um teclado como Gould o faz enquanto trauteia as Goldberg, um sonho para o resto dos meus dias...



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