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setembro 20, 2012

don't let us ask for the moon... we have the stars!

... é a frase que fica no ar no fim de "now voyager", filme de 1942 com Bette Davies no papel principal.

um belo filme, em que a história de uma jovem mulher oprimida pela sua mãe (e família) se precipita frente aos nossos olhos, com pitadas satírico-humorísticas q.b., e terminando num final feliz que deixa muitas questões psicológicas em aberto.

é quando essa jovem mulher se liberta das garras que a enloqueciam, recuperando a tão importante auto-estima e transfigurando-se numa figura luminosa, ainda que sóbria, (é) foi nesse momento que comecei a ver fantasmas de Susan Sarandon a passearem-se neste filme dos anos 40.

ora cá estão elas juntas:



outra bela foto de Susan Sarandon, ainda mais similar em http://www.moviepicturedb.com/picture/24dd9f1d

janeiro 15, 2012

ternurento...

restless [gus van sant, 2011]

maio 26, 2011

telurismo

no  verão de 2008 passei por Monsanto da Beira. terra encantadora. já vi escrito em vários locais que é a "terra" mais portuguesa de Portugal. não concordo, mas tem, sem dúvida, os seus encantos. impossível ser indiferente à coexistência dos penedos e dos homens que os procuraram habitar, construindo casas em seu redor, erguendo um povoado aos pés de um castelo esvaziado de onde a vista pode alcançar o descer do sol através da serra da gardunha, ou do moradal. e se agora é pitoresca e turística, o realizador Manuel Guimarães propõe um olhar bem mais assustador, ainda que encantador, no seu "Crime da Aldeia Velha", adaptação da obra de Bernardo Santareno, supostamente escrita a partir de um caso real ocorrido em Marco de Canaveses... Manuel Guimarães não poderia ter escolhido melhor local de filmagens.  ao que consta, a maioria do elenco era constituído, à data, por habitantes de Monsanto. a fotografia é fantástica.

uma pequena amostra
[O crime da aldeia velha, de Manuel Guimarães,1964]

dezembro 29, 2009

natal bem passado, em repetição quase contínua...

... sobrinha assim o exige!



As Triplets de Belleville, com Champion, Mme Souza (lêr Souzá) e Bruno, de Sylvain Chomet (2003).

julho 09, 2009

Si se puede / Yes we can : perigosamente parecidos!

faz umas semanas passou Our Brand is Crisis, de Rachel Boynton, no Gato Vadio, e infelizmente, pelo tardio da hora, não houve energia e disponibilidade para o colocar a debate.



é inquietante ver a execução prática de todas as teorias manipulativas de opinião pública (política) que normalmente apenas se imagina existirem. ali, estranhamente a crú e de forma assumida, documenta-se o trabalho de uma equipa de estrategas americanos da empresa Greenberg Carville Shrum que consegue levar, em 2002, à Presidência da Bolívia o candidato Gonzalo Sanchez de Lozada, conhecido como Goni, saltando no último "minuto" de um 3º lugar para a vitória. trabalho longo, árduo e muito bem conseguido pelos americanos que assim cumpriram o seu papel. no fim, toda a encenação e planeamento não se extendiam às verdadeiras capacidades de liderança do presidente: a Presidência de Goni revela-se desastrosa, tanto quanto o Documentário o mostra, e termina com nova revolução, que a seu tempo leva Evo Morales à presidência com forte apoio popular.

existem muitas questões no ar, mas constantemente relembro o slogan da campanha de Goni, e o som é-me demasiado semelhante a outro slogan bem mais recente.

si se puede

yes we can

espero sinceramente que desta vez as capacidades de liderança estejam à altura da eficiência dos estrategas (serão os mesmos? a Greenberg Carville Shrum esteve por trás das campanhas de Clinton e Kerry...) e que o desfecho traga resultados bem mais positivos. quer se goste ou não goste, a grande nação americana influencia os destinos políticos e económicos deste planeta...

junho 21, 2009

alentejo e caramelos

Com o calor, revivem-se as sensações do Verão Alentejano.
Boa altura para recordar um excelente filme de animação (ver trailer de 1min! - clicar na imagem)

junho 14, 2009

corrente de ar fresco num imaginado quente feriado de Agosto

[Pranzo di Ferragosto, Gianni Di Gregorio, 2008]

cinema à minha medida: actores ao natural - serão mesmo actores? - ambientes reais, boa disposição, uma perspectiva optimista do tudo-se-resolverá, e um fundo sonoro de traços tradicionais aventurando-se por um jazz-folk ligeiro, perfeito, de Ratchev & Carratello.

O Almoço de 15 de Agosto tem ingredientes para reflectir. O gosto pela Culinária simples, mas saborosa, o vinho branco a aligeirar o espírito, o papel das velhas senhoras na vida familiar, a recusa do envelhecimento -mental?- e a busca tardia do divertimento, a cumplicidade, a matreirisse, o gosto pelo cuidado do corpo, a exuberância, a psicologia no regresso à infância da velhice...

é tarde para recomendar, porque já quase toda a gente viu.


ps: aos senhores da empresa de legendagem Sub-Ti, recomenda-se a leitura de "Os três Mosqueteiros" de Alexandre Dumas, com a esperança de que descubram que afinal Dartacão não era um Cão, mas Homem, não cão feito homem, mas Homem feito Conde, e de nome Conde d'Artagnan... raciocício tortuoso e propositado.

maio 11, 2009

koyaanisqatsi [Godfrey Reggio]

ko.yaa.nis.qatsi (da língua dos índios Hopi),
n. 1. vida louca.
2. vida tumultuosa.
3. vida em desintegração.
4. vida desequilibrada.
5. um estado de existência que exige outro modo de viver.

o filme, do americano Godfrey Reggio, foi produzido entre os anos de 1975 e 1982, e é o primeiro da trilogia QATSI. flui de ambientes naturais quase intocados pelo homem, de belas imagens fotográficas, numa dança constante e imponente ao ritmo complexo da natureza, para o caos da vida urbana, das rotinas, da industrialização. pela abordagem, tem o seu toque de visionário para as reflexões ambientalistas do século XXI e toca com todo o mérito o visionário sociológico que foi Fritz Lang com o seu Metrópolis. acima de tudo, um bom ponto de partida para reflexão, com a envolvência da banda sonora de Philip Glass.

a oportunidade para ver esta preciosidade foi lançada pelo (sempre) desafiante gato vadio. a ver se por lá se verá o resto da trilogia...

entretanto ficam as profecias Hopi relembradas no filme:
- se escavarmos coisas preciosas da terra, chamaremos o desastre.
- perto do dia da Purificação, haverá teias de aranha prolongando-se de um lado ao outro do céu
- um recipiente de cinzas poderá um dia cair do céu e poderá queimar a terra e agitar os oceanos
[www.koyaanisqatsi.org]





novembro 20, 2008

a cegueira e o lobo

durante o Ensaio Sobre a Cegueira [Fernando Meirelles, 2008] renasceram recorrentemente as memórias de um outro filme, Time of the Wolf [Michael Haneke, 2003]. talvez por isso, a sensação ao abandonar a sala escura era de alguma revolta no estômago e aperto no pescoço que só surgem em situações de muito stress, pânico, ou medo. talvez também em situações de alguma delicadeza emocional. enfim... são filmes que se complementam.

ainda não li o livro de Saramago, mas partindo do princípio que a adaptação é fiel à ideia do autor, Meirelles filma a metáfora da cegueira, levando uma comunidade a situações extremas de conflito e de sobrevivência. cegos são os que vêem, basta recusar um olhar, ou negar a realidade. no ensaio, toda a experiência contribúi para testar os verdadeiros limites da existência e a integridade humana apenas (...) para renascer da doença, dando uma nova oportunidade para reviver a realidade que nos rodeia. é claramente uma visão branca, esperançosa, da cegueira e do Homem. de uma certa paz, apelando à solidariedade. os bons e os maus. sem máscaras. a verdadeira natureza em expressão.

o Tempo do Lobo comunga do teste dos limites da existência e integridade. é esse o centro de uma história sem princípio e fim concretos. percebe-se um mundo ameaçado. populações deslocadas dos grandes centros em busca de sobrevivência. a incerteza da duração desse estado de sítio. não se sabe a causa. terrorismo. contaminação biológica de larga escala. guerra. não há qualquer informação. apenas grupos de deslocados, de todos os extractos sociais, um movimento colectivo, que se vai tornando unidireccional, no sentido da esperança da segurança. a história nao tem fim. porque rapidamente se circunscreve a uma estação de combóios, um refúgio, a esperança de um combóio salvação que não chegará. e a partir daí, as dinâmicas comunitárias de "tempos de sobrevivência". a metáfora são os lobos, não a cegueira. os lobos que cercam a presa até, metaforicamente, a comer viva. somos levados a esta realidade pelas mãos de uma família destroçada, a mãe e os seus filhos. e é com eles que ficamos presos naquele apeadeiro sobrepopulado. Haneke só nos oferece o fim da história do personagem integridade. e ao contrário de Saramago, a mensagem é fatalista. e pesa, porque se desenrola num cenário ficcionado bem mais real do que queiramos imaginar. poderá acontecer, se não está já a passar-se nalgum ponto do planeta...

e talvez por já ter saído de uma sala escura, há cinco anos atrás, perturbada, angustiada, a pensar nesta nossa vidinha, a mensagem deste ensaio não me deixou nada pacificada. em ambos os filmes, não se sabe bem que mundo vai projectar-se-nos do lado exterior da porta da sala escura.

um filme escuro. outro branco sobre-exposto. a complementaridade destes dois filmes também expressa pela fotografia. ficam os trailers.