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janeiro 15, 2013
janeiro 05, 2013
a casa de georgienne [c.teatro Musgo]

rua da Alegria, 953
Porto
por detrás da porta 953 da rua da alegria encontra-se um belo casarão antigo, em bom estado de conservação, onde coabitam 5 moradores que nada mais têm em comum do que o senhorio. somos levados pelos espaços com a curiosidade de quem descobre a fonte dos sons da casa, as dinâmicas, as diferenças, os pontos comuns. vivem em comunidade. ou talvez não... uma produção divertida, criativa, despretenciosa, com apontamentos bem apanhados de situações reais de partilha de espaços - ou talvez não! há estereótipos, mas são muito bem-vindos para os objectivos do colectivo.
esta recentemente formada pequena companhia sediada em parte incerta do porto, como tantas outras pequenas companhias, aposta em não deixar de fazer teatro na ausência de apoios financeiros.
para ver, espectáculo em reposição, de 3 a 13 de janeiro 2013, (excepto 2ªfeira), 22h
trabalho colectivo de : Joana Moraes, Ana Vargas, Gilberto Oliveira, Joana Carvalho, João Pamplona, Sara Costa, Pascal Ferreira(cartaz) - companhia de teatro MUSGO (outubro 2012).
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janeiro 19, 2012
les filles de Bordeaux [Kurt Weill, LODHO]
depois da referência às meninas de bordéus, cá estão elas,
nas mãos, voz e imagem da curiosa L'orchestre D'Hommes-Orchestres
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novembro 08, 2011
Credo [Enzo Cormann]
[monólogo que surfa nas ondas de Novas Cartas Portuguesas]
[Edições Cotovia, 1990]
(...)
Pensava portanto nela, ontem na cozinha, e percebia enfim que a maior beleza é sempre silenciosa, e que faltaria sempre à minha vida - como sem dúvida à tua - uma parte de verdadeiro mistério. Por isso, matar-te constituía uma espécie de cerimónia através da qual, imolando-te, obtinha para sempre silêncio e beleza. Pensava por outro lado que esse gesto permaneceria como o único acto de fé de toda a minha existência. Esta perspectiva serenou-me e comecei a acreditar plenamente na simples suposição de que tinhas cometido um crime tal que eu me devia vingar; e que essa vingança consistiria no teu assassinato.
(...)
Sabes, não vale a pena olhares-me dessa maneira. Aliás que poderias tu ver? Não há nada para ver aqui, a não ser um pouco de espaço inerte e frio.
Eu própria, sabe-lo bem, não sou senão uma colecção de palavras e de ruídos. De saia que se amarrota e de cólera que se retém. De dor também; de ventre, e de cabeças esmigalhadas.
Sentes como tudo isso é transparente? Como tudo isso pode subitamente pôr-se a oscilar no ar como penugem? Alguma vez ouviste o mar numa concha? Nada mais do que o ruído do teu próprio ouvido e do que tu queres ouvir.
Eu própria não sou senão um pouco de ar cativo de um labirinto abstracto. Um pouco de ar, compreendes? Nem louca, nem só, estás a ver; mas simplesmente ---
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maio 28, 2011
Gardenia [Les Ballet C de la B]
ontem deambulava pela cidade quando passei pela porta de um cabaret, o Gardenia. porta entreaberta, ouviam-se as notas langorosas, mas calorosas, de uma orquestra que se despede. fiquei ali a espreitar.
uma figura alta, esbelta - soube depois que era a Madama - cantava com a sua voz muito grave, sentida.
parece que ontem foi o último dia do Gardenia. fechou.
com Madama, a sua família Gardenia, reunida em torno do palco que acolheu as suas vidas e fantasias. espreitei essa despedida. o palco foi de tod@s, e brilharam, deslumbrantes. estavam muitos olhos presos àquele palco, enfeitiçados. e perante eles desfilou a metamorfose explosiva de quem é empurrado a viver o seu sonho e o seu ser em cima de um palco: sob os holofotes, o deslumbramento, a alegria, com pequenos apontamentos a chamar a tristeza e a solidão, outros a gargalhada.
quando o desespero e a solidão se instalam no centro do palco, Madama esclarece que vivemos para coleccionar os raros momentos de felicidade e concretização, aqueles que ainda que não se repitam, dão a energia necessária para aguentar a rotina e os dissabores das nossas vidas.
uma figura alta, esbelta - soube depois que era a Madama - cantava com a sua voz muito grave, sentida.
somewhere over the rainbow skies are blue
and the dreams that you dare to dream really do come true.
...
somewhere over the rainbow bluebirds fly
birds fly over the rainbow, why then, oh why can't I?
birds fly over the rainbow, why then, oh why can't I?
parece que ontem foi o último dia do Gardenia. fechou.
com Madama, a sua família Gardenia, reunida em torno do palco que acolheu as suas vidas e fantasias. espreitei essa despedida. o palco foi de tod@s, e brilharam, deslumbrantes. estavam muitos olhos presos àquele palco, enfeitiçados. e perante eles desfilou a metamorfose explosiva de quem é empurrado a viver o seu sonho e o seu ser em cima de um palco: sob os holofotes, o deslumbramento, a alegria, com pequenos apontamentos a chamar a tristeza e a solidão, outros a gargalhada.
quando o desespero e a solidão se instalam no centro do palco, Madama esclarece que vivemos para coleccionar os raros momentos de felicidade e concretização, aqueles que ainda que não se repitam, dão a energia necessária para aguentar a rotina e os dissabores das nossas vidas.
o final foi apoteótico.
[@Luc Monsaert]
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março 12, 2011
Rosas Danst Rosas [Anne Teresa de Keersmaeker]
criação minimalista, sublime, datada de 1983. emoções e movimento.
visitou o CCVF recentemente, no GUIdance.
fica aqui registado em versão bem mais intimista:
visitou o CCVF recentemente, no GUIdance.
fica aqui registado em versão bem mais intimista:
[unpazzogiudizio@youtube, portal a manter debaixo de olho...]
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março 11, 2011
setembro 06, 2010
Ibéria [Peripécia Teatro]
agradável surpresa, que parece andar longe dos palcos do porto e arredores.
a companhia Peripécia Teatro apresentou nos dias 2 e 3 de setembro, em Vila Real, o seu espectáculo Ibéria, a louca história de uma península, espectáculo originalmente produzido em 2004.

os actores, um português e dois espanhóis, contam de forma engenhosa, artística, cómico-dramática, vários episódios da história comum aos países ibéricos **. são arrojados. não tomam partidos. críticos. não se pode dizer que seja comédia ligeira. mas o espectáculo, que vive dos próprios actores e alguns objectos, poucos, está magnificamente encenado. o movimento do corpo em alguns momentos em tom de performance arrojada e sincronizada, ocupa todo o espaço de um palco vazio. basta-lhes algum trabalho de luz. e o resto
são cerca de 75 minutos bem humorados.
são cerca de 75 minutos bem humorados.
o texto é resultado da (excelente) criação colectiva dos próprios actores.
se eles estiverem próximos, não deixem de espreitar o seu trabalho!
** batalha de salado; inês de castro; viriato e numancia; batalha de aljubarrota; descobrimentos; tratado de tordesilhas; dinastia filipina; o milagre.... e muitos bons pequenos "mais"
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Janis e a Tartaruga: as palmas são para a Carla Galvão
"Janis e a Tartaruga" esteve em Matosinhos, em reposição, nos dias 2-4 de Setembro.
É verdade que deixa plateias contentes, a aplaudir em pé, mas a meu ver as felicitações são maioritariamente dirigidas à actriz Carla Galvão pelo seu excelente trabalho. O texto, da autoria de Pedro Pinto e Filipe Pinto, baseia-se numa boa ideia mas falha na sua concretização. É óbvio nas escolhas contextuais e não explora significativamente a personagem e a música de Janis Joplin. A encenação de Luisa Pinto bem que podia dispensar as imagens projectadas. Gostei do carrossel de cadeiras. Gostei da mala. Não era necessário muito mais. A Carla preenche todo o palco.
Já antes, em Mil Olhos de Vidro, fiquei exactamente com a mesma sensação: os irmãos Pedro e Filipe Pinto partiram de uma excelente ideia, mas falharam a concretização do texto, a concretização da peça.
Ainda assim, Janis e a Tartaruga provocou reacções no público do Constantino Nery. Em especial na cena em que Janis apanha a boleia de uma jovem que acabou de perder o namorado suicida - alguém lá para trás na sala esvaziou e voltou a encher a sua mala, completamente, para não ter de olhar para o palco - e também na cena da boleia com o jovem branco, de fato preto, Bíblia no colo, e todo o discurso em torno do choque entre brancos e pretos - mas acho que os comentários se dirigiam aos adereços e às vestimentas de Janis na cena.
Enfim...
As minhas palmas foram maioritariamente para a Carla Galvão e é ela que eu felicito.
Continua com o bom trabalho!
É verdade que deixa plateias contentes, a aplaudir em pé, mas a meu ver as felicitações são maioritariamente dirigidas à actriz Carla Galvão pelo seu excelente trabalho. O texto, da autoria de Pedro Pinto e Filipe Pinto, baseia-se numa boa ideia mas falha na sua concretização. É óbvio nas escolhas contextuais e não explora significativamente a personagem e a música de Janis Joplin. A encenação de Luisa Pinto bem que podia dispensar as imagens projectadas. Gostei do carrossel de cadeiras. Gostei da mala. Não era necessário muito mais. A Carla preenche todo o palco.
Já antes, em Mil Olhos de Vidro, fiquei exactamente com a mesma sensação: os irmãos Pedro e Filipe Pinto partiram de uma excelente ideia, mas falharam a concretização do texto, a concretização da peça.
Ainda assim, Janis e a Tartaruga provocou reacções no público do Constantino Nery. Em especial na cena em que Janis apanha a boleia de uma jovem que acabou de perder o namorado suicida - alguém lá para trás na sala esvaziou e voltou a encher a sua mala, completamente, para não ter de olhar para o palco - e também na cena da boleia com o jovem branco, de fato preto, Bíblia no colo, e todo o discurso em torno do choque entre brancos e pretos - mas acho que os comentários se dirigiam aos adereços e às vestimentas de Janis na cena.
Enfim...
As minhas palmas foram maioritariamente para a Carla Galvão e é ela que eu felicito.
Continua com o bom trabalho!
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fevereiro 28, 2010
teatro dos aloés & carla galvão & público de teatro
a companhia teatro dos aloés esteve no porto, teatro carlos alberto, nas últimas duas semanas. apresentou duas peças escritas recentemente: facas nas galinhas (1995), do escocês David Harrower, e canção do vale (1996), do sul-africano Athol Fugard. teatro humanista. e teatro de sonhos. comum às duas histórias o estímulo que impele a seguir os grandes sonhos que dão sentido à vida. e para além do texto, excelentes encenações, cenografias, produção.


o único aspecto triste a marcar é a ausência de público na sala do teatro carlos alberto. nas duas sessões que assisti, não eramos mais de 20 no total. talvez tantos quanto a equipa de produção e actores. que se passa? onde anda o público que esgota o teatro nacional são joão quando os grandes nomes** sobem até ao porto? só vai ao teatro ver celebridades? não quer conhecer as celebridades do futuro? pois se gostam de teatro, foi uma pena não encherem também o carlos alberto.
** gosto de Eunice Muñoz, e tenho um fascínio particular pelos livro e peça de teatro "the year of magical thinking" de Joan Didion, mas não consegui ver o trabalho apresentado no tnsj, de tão esgotado que esteve. pergunto-me:
quantos terão sentido vontade de sair?
quantos terão ficado mesmerizados?
quantos terão chegado a casa e tentado ler o livro (já traduzido em portugal)?
quantos terão sentido vontade de sair?
quantos terão ficado mesmerizados?
quantos terão chegado a casa e tentado ler o livro (já traduzido em portugal)?
há algo que não está bem. nada pior do que encenar uma peça e não ter público para vê-la. especialmente quando se trata de um excelente trabalho de grupo.
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fevereiro 26, 2010
Alan [TUP/António Júlio]
uma boa foto (do TUP) para ilustrar uma boa noite de teatro.
de chegar a casa e trazer todo o Tow Waits existente para nossa companhia.
no Porto, até 28 de Fevereiro, 22h, Fundação José Rodrigues
não perder!
Depois de meses a estudar o músico Tom Waits, as suas composições, letras e personagens, o Teatro Universitário do Porto apresenta "ALAN". ... [TUP]
janeiro 16, 2010
cratera em palco... [teatro bruto / valter hugo mãe]
ainda não desisti de valter hugo mãe, apesar da experiência desta noite.
(em voz off: who cares!?!?)
nome da peça: cratera, as crianças com segredos
autor: valter hugo mãe
encenação: Ana Luena
intérpretes: Carlos António, Pedro Mendonça e Sílvia Silva
produção: Teatro Bruto
local: Fundação Escultor José Rodrigues/Fábrica Social, Porto
até: 23 de Janeiro 2010.
não há muito a dizer. dos cerca de 55 minutos gostei da música original de Sérgio Martins e Rui Lima. o resto, trabalho difícil dos actores a partir da adaptação (ou) de um texto de Valter Hugo Mãe pouco sustentado, muito aquém da sinopse apresentada pelo autor, com meia dúzia de lugares comuns, pouco ritmo, limitado nas ideias. expectativas completamente defraudadas. ainda não desisti de encontrar VHM, mas não será por aqui...
sinopse de valter hugo mãe:
A mulher, como belo sexo, suporta também a condenação de o ser, suscitando os mais extremos desejos do homem, por vezes ao limite das coisas, ao limite da morte. O mundo persiste falocrático e a mulher prossegue como adorada e menosprezada ao mesmo tempo.
cratera, as crianças com segredos, propõe uma maneira mais difícil de ver uma mulher. Propõe que ela seja vista através de um homem, um actor que, nada disfarçando-se, é beatriz, a irmã de um estranho miguel que, na ausência dos pais, toma as rédeas da família que resta. miguel diz à irmã que os homens sempre olham para as mulheres como se estas estivessem nuas, e beatriz pensa que melhor seria se fosse também um homem para poder sair livremente à rua, sem perigo. Mas o perigo, aqui, vem de quem se espera cuidado, vem dessa louca e complexa componente do amor, a posse, que, degenerando, facilmente chega ao grotesco e ao desumano.
Esta mulher, que somos obrigados a ver através do corpo de um homem e, por isso, nos custa despir, é uma manifestação simples do desespero de se ser aprisionado por um desejo desequilibrado. É uma mulher no mundo de um homem, como se a existência, em si mesma, fosse domínio dos homens e a eles apenas devesse prestar contas.
Esta mulher, que somos obrigados a ver através do corpo de um homem e, por isso, nos custa despir, é uma manifestação simples do desespero de se ser aprisionado por um desejo desequilibrado. É uma mulher no mundo de um homem, como se a existência, em si mesma, fosse domínio dos homens e a eles apenas devesse prestar contas.
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novembro 17, 2009
jardim zoológico de cristal [Tenesee Williams ]
Tennessee Williams nos palcos portugueses, encenado por Nuno Cardoso, e com Maria do Céu Ribeiro, Micaela Cardoso, Luís Araújo e Romeu Costa.
não deixar escapar!
braga, theatro circo, 20 e 21 de novembro
porto, estúdio zero, 3-13 de dezembro
aveiro, teatro aveirense, 19 de dezembro
lisboa, teatro taborda, 6-16 de janeiro (10)
portimão, teatro, 23 de janeiro (10)
mais informações aqui...
não deixar escapar!
braga, theatro circo, 20 e 21 de novembro
porto, estúdio zero, 3-13 de dezembro
aveiro, teatro aveirense, 19 de dezembro
lisboa, teatro taborda, 6-16 de janeiro (10)
portimão, teatro, 23 de janeiro (10)
mais informações aqui...
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janeiro 16, 2009
A Orfã
[Café Lusitano, Porto, produção Teatro Aramá]

O espectáculo recria, num tom satírico, o universo "telenovelesco" afrontado em clichés: o protótipo das suas personagens, os seus intermináveis conflitos e encravadas soluções, as suas gordas tristezas e magras alegrias... servirá grandes doses de sentimentalismo até ao enjoo... Basta. Haja quem ria... [do flyer de divulgação]
Texto e Encenação: Tó Maia
Direcção de Actores: Nuno Simões
Música Original: Cristina Bacelar
Espectáculo de Café- Teatro
em 4 capítulos, 1 em cada 4ª feira de Janeiro (09)
Direcção de Actores: Nuno Simões
Música Original: Cristina Bacelar
Espectáculo de Café- Teatro
em 4 capítulos, 1 em cada 4ª feira de Janeiro (09)

O espectáculo recria, num tom satírico, o universo "telenovelesco" afrontado em clichés: o protótipo das suas personagens, os seus intermináveis conflitos e encravadas soluções, as suas gordas tristezas e magras alegrias... servirá grandes doses de sentimentalismo até ao enjoo... Basta. Haja quem ria... [do flyer de divulgação]
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janeiro 15, 2009
Mercador de Veneza
[Shakespeare, TNSJ, até 18/Jan]
tradução: | Daniel Jonas |
versão cénica: | Ricardo Pais, Daniel Jonas |
encenação: | Ricardo Pais |
o Mercador de Veneza, produção do Teatro Nacional S. João, está em reposição e é para não perder. pela qualidade do trabalho desenvolvido por todo o elenco e produção, pelas temáticas abordadas, e até de certa forma pelo momento que se vive actualmente na faixa de Gaza e o respectivo e histórico confronto de culturas, costumes e estereótipos.
visualmente, a encenação funciona muito bem: minimalista nos elementos em palco, elegante no figurino e na luz. as vozes, um problema particular: a produção optou pela utilização de microfones, o que pode justificar-se pela dimensão da sala, mas que baralha completamente a percepção do espaço e da localização dos personagens, sensação agravada por muitas das cenas serem projectadas para o fundo do palco e não termos acesso ao rosto dos actores.
uma questão, que terá eventualmente resposta quando me cruzar com o texto original, prende-se com a segunda parte da peça: a história vista e vivida de Belmonte, complemento à primeira parte, localizada em Veneza. na segunda parte houve uma quebra de ritmo, nalguns momentos atenuada por efeitos visualmente mesmerizantes. a opção de interpretação da revelação do papel de Pórcia e Nerissa no desfecho do drama central pareceu-me demasiado dramática para o que senti que o momento pedia, o momento da vitória da argúcia feminina.
não perder!
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dezembro 02, 2008
O Público [Federico García Lorca]: leitura encenada

Produção: Teatro Aramá e Anjos Urbanos
Direcção: Tó Maia
reservas: 96 265 7894
email: teatroarama@gmail.com
N’O Público ressoam ecos surrealistas (...), o mundo íntimo do autor cruza-se com a sua reflexão sobre o teatro, como se arte e vida estivessem estreitamente unidas nesta etapa da sua criação literária. Esta obra (...) é um acto de auto-afirmação pessoal e artística(...). É uma explosão do mais genuíno substrato Lorquiano, que viu luz entre 1929 e 1930, empurrado pelos novos ares surrealistas e nova-iorquinos, mas que também estava profundamente enraizado no mais emblemático do seu autor, e em grandes escritores do teatro clássico e contemporâneo.
[em El Público, Maria Clementa Millán, Letras Hispánicas]
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novembro 28, 2008
cloud nine: o Sétimo Céu - take 2...
[reposição de uma kasca de jan 08, ligeiramente alterada]

... to be in Cloud Nine é a expressão equivalente para o nosso "estar no 7º céu". O êxtase, a felicidade, o máximo contentamento, o melhor dos melhores...
Cloud Nine, de Caryl Churchill, devora-se através da coexistência de estados hilariantes, irónicos e reflexivos, dentro das temáticas da questão do género, sexualidade, política e sociedade. Faz pensar. Propicia discussão.
Após a produção pela companhia de teatro Escola de Mulheres em 1997, o Sétimo Céu está agora no renovado Cine-Teatro Constantino Nery até dia 7 de Dezembro. A não perder!
[Livro da foto: Theatre Communications Group; 1st TCG ed edition (April 1995)]


Cloud Nine, de Caryl Churchill, devora-se através da coexistência de estados hilariantes, irónicos e reflexivos, dentro das temáticas da questão do género, sexualidade, política e sociedade. Faz pensar. Propicia discussão.
Após a produção pela companhia de teatro Escola de Mulheres em 1997, o Sétimo Céu está agora no renovado Cine-Teatro Constantino Nery até dia 7 de Dezembro. A não perder!
[Livro da foto: Theatre Communications Group; 1st TCG ed edition (April 1995)]
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novembro 14, 2008
underground
aproximam-se oportunidades para visitar o teatro debaixo da areia/arena*, nos próximos dias 8 e 9 de Dezembro, no espaço anjos urbanos. até lá, perco-me pelas cidades de Vasco Mourão, calcorreando escadas, espreitando portas e janelas... quem sabe se não encontro o Lorca em pessoa, em discussão acesa com Figura de Guizos e Figura de Parras!
[* O Público, Gabriel Garcia Lorca]
[desenho de Vasco Mourão - clicar na imagem...]

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outubro 19, 2008
Público [F.G.Lorca] antevisão
do segundo quadro (FP: figura de parras; FG: figura de guizos):
FG: Se eu me transformasse em nuvem?
FP: Eu transformava-me em olho.
FG: Se eu me transformasse em cáca?
FP: Eu transformava-me em mosca.
FG: Se eu me transformasse em maçã?
FP: Eu transformava-me em beijo.
FG: Se eu me transformasse em peito?
FP: Eu transformava-me em lençol branco.
Voz: Bravo! (sarcástica)
FG: E se eu me transformasse em peixe-lua?
FP: Eu transformava-me em faca.
FG: Mas, porquê? Porque me atormentas? Porque não vens comigo, se me amas, até onde te queira levar? Se me transformasse em peixe-lua, tu transformavas-te em onda do mar, ou em alga, e se quiseres uma coisa muito longe, para não desejares beijar-me, tu transformavas-te em lua cheia. Mas em faca? (...)
(...)
FG: Se eu me transformasse em nuvem?
FP: Eu transformava-me em olho.

FP: Eu transformava-me em mosca.
FG: Se eu me transformasse em maçã?
FP: Eu transformava-me em beijo.
FG: Se eu me transformasse em peito?
FP: Eu transformava-me em lençol branco.
Voz: Bravo! (sarcástica)
FG: E se eu me transformasse em peixe-lua?
FP: Eu transformava-me em faca.
FG: Mas, porquê? Porque me atormentas? Porque não vens comigo, se me amas, até onde te queira levar? Se me transformasse em peixe-lua, tu transformavas-te em onda do mar, ou em alga, e se quiseres uma coisa muito longe, para não desejares beijar-me, tu transformavas-te em lua cheia. Mas em faca? (...)
(...)
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outubro 17, 2008
Persona [Bergman], As Boas Raparigas
no Estúdio Zero, Porto até 2 de Novembro Terça a Domingo às 21h45 texto de Ingmar Bergman pela companhia As Boas Raparigas | Encenação: João Pedro Vaz Tradução: Armando Silva Carvalho Cenografia: Cláudia Armanda Design de Luz: Nuno Meira Sonoplastia: Luís Aly Figurinos: Catarina Barros Elenco: Maria do Céu Ribeiro e Sandra Salomé | ![]() [foto:AsBoasRaparigas] |
A actriz Elizabeth Vogler deixa de falar durante uma representação teatral de Electra. O seu mutismo em relação aos que a rodeiam é total, sendo então internada numa clínica. Não está doente, simplesmente optou pelo silêncio. Alma, uma jovem enfermeira, fica encarregada de tratar dela. Quando, a conselho médico, as duas se isolam numa ilha, passam a desenvolver uma intimidade e cumplicidade crescentes. Com isso estabelece-se uma constante troca de identidades.
Ingmar Bergman escreveu Persona para o cinema: "O que eu escrevi não é um argumento de um filme no sentido habitual do termo. É algo que se assemelha mais a uma linha melódica que irei orquestrar (...). Por isso eu convoco a fantasia do leitor ou do espectador a fazer uso livre dos elementos que coloco à disposição." [Lágrimas e Suspiros, Persona, Dependência, I.Bergman, Assírio&Alvim]
este pequeno enquadramento pode ajudar a desvendar as opções de encenação do texto, tarefa que exige alguma ousadia, sendo o filme de Bergman tão marcante e bem conseguido. o público do Estúdio Zero deve dividir-se entre os que viram o filme e os que o não viram, entre os que dele se abstraem e os que o têm presente. o que aqui escrevo não é imune às minhas memórias do filme ao longo do decorrer da peça - e se dele me tivesse esquecido, estava lá um televisor para mo lembrar.
imagino que Persona toque cada pessoa de forma diferente. fascinam-me: o processo de descoberta entre Alma e Elizabeth, a comunicação de extremos entre o silêncio de expressividade corporal e a voz, a busca do diálogo contrastando com a busca do silêncio. desde a primeira vez que vi Persona que procuro uma razão para que o silêncio vocal de Elizabeth não se estendesse também à escrita: existem as suas cartas, entre as quais Aquela que marca a dinâmica da história. mas acima de tudo isto fascina-me o processo de troca/assimilação de identidades.
quanto à peça, desempenhos fortes com uma cenografia que me pareceu algo exagerada. não encontrei referências para a intenção do trabalho de João Pedro Vaz. talvez tenha procurado distanciar-se o mais possível do filme. sendo essa a sua opção não me parece conseguida. o processo de assimilação de identidades não é tão bem conseguido, até confuso.
leio o final da peça como um trunfo a Alma que, pela assimilação da personalidade de Elizabeth, consegue desvendar a actriz. na peça tudo é dubio. Elizabeth surge vestida de Alma, mas o personagem não deixa de ser Elizabeth. Alma demonstra bem a assimilação da frieza e a crueldade, características psicológicas de Elizabeth.
a história é muito mais do que assimilações, cenários, jogos de luz: o peso da(s) farsa(s) que transportamos nas nossas vidas - na peça, a farsa na existência de Elizabeth Vogler - longa discussão para mesa de café.
a história é muito mais do que assimilações, cenários, jogos de luz: o peso da(s) farsa(s) que transportamos nas nossas vidas - na peça, a farsa na existência de Elizabeth Vogler - longa discussão para mesa de café.
gostava muito de ver este mesmo Persona de João Pedro Vaz com a actriz Maria do Céu Ribeiro no papel de Alma, e a Sandra Salomé no papel de Elizabeth. um desafio... talvez alguém ouça...
a não perder, as fotografias em exposição no Estúdio Zero!
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