junho 23, 2010

junho 11, 2010

10 de junho, com "sabom"

e passou o dia de Portugal! mais um feriado, mais uma ponte - para quem ousou aproveitá-la, chuva, blocos noticiosos entre a desgraça do discurso político - "eu avisei-vos!", dizia o PR - e o suposto optimismo vuvuzelado da bola.

os feriados já chateiam, atrapalham, estragam a agenda. há uma semana inquiria conhecidos sobre o cumprimento da devoção religiosa do Corpo de Deus, enquanto tentava apagar a imagem de uma praia apinhada de cabeças, guarda-sóis, toalhas e banhos... tudo isto à primeira subida de temperatura digna de rótulo veraneante.

pensando bem, deus é majestoso e o sol tinha de brinda-lO com toda a solenidade.
já o 10 de junho esteve à altura do país de tanga... chuv(r)oso, frio, ameaçador...

à falta de condições para praia, aproveita-se para cheirar os restos do Sr de Matosinhos: não é que descobrem-se boas soluções para os problemas da nação, e regressa-se a casa com um sorriso e confiança refeita?!

para o nosso primeiro ministro, que tal um par de pistolas de intimidação para utilizar junto das agências internacionais de rating? só custa 5 Euros, e ninguém vai preso: fáz bolinhas de sabom...


ainda para o nosso primeiro e seu braço DIREITO: umas cestas da fortuna. cada, só dois euróis e meio! com jeito ainda dão a volta ao feirante e conseguem um preço mais em conta para as contas públicas nacionais...


a nós, comuns cidadãos tributados e pagantes, restam-nos mezinhas de outros calibres, sugerindo-se à cabeça uma mancheia de pretos da sorte - quem terá inventado esta? -
5 pretos, 5 euróis... tanto quanto o projector de sabom!

se a sorte não chegar... corre-se atrás do frango e do grilo... para o primeiro, uma magnífica peça de sangramento, o mata-frangos; para o segundo, uma pequena gaiola a fazer lembrar os tempos de criança da palhinha atrás da orelha e dos cacarejados em paisagens alentejanas.
enfim, alimento e distracção.


este é o meu País. quero celebrá-lo com espírito mais positivo. gosto desta terra, e destas gentes.

junho 08, 2010

de volta, eléctrica, e violeta

...
hanging from chandeliers
same small world at your heels


all the very best of us string ourselves up for love
...

[ka@08_Cadeia da Relação do Porto]

março 26, 2010

sobre livros...

O livro, para mim, é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não muda jamais. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído.

[Umberto Eco, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo]

fevereiro 28, 2010

teatro dos aloés & carla galvão & público de teatro

a companhia teatro dos aloés esteve no porto, teatro carlos alberto, nas últimas duas semanas. apresentou duas peças escritas recentemente: facas nas galinhas (1995), do escocês David Harrower, e canção do vale (1996), do sul-africano Athol Fugard. teatro humanista. e teatro de sonhos. comum às duas histórias o estímulo que impele a seguir os grandes sonhos que dão sentido à vida. e para além do texto, excelentes encenações, cenografias, produção.

também comum às duas peças, a presença em palco de carla galvão. e que desempenho! não espanta descobrir que carla recebeu recentemente dois prémios (Associação Portuguesa de Críticos, e Prémio Santareno de Teatro - Revelação).

[imagem de facas nas galinhas, ©teatro dos aloés]

o único aspecto triste a marcar é a ausência de público na sala do teatro carlos alberto. nas duas sessões que assisti, não eramos mais de 20 no total. talvez tantos quanto a equipa de produção e actores. que se passa? onde anda o público que esgota o teatro nacional são joão quando os grandes nomes** sobem até ao porto? só vai ao teatro ver celebridades? não quer conhecer as celebridades do futuro? pois se gostam de teatro, foi uma pena não encherem também o carlos alberto.

** gosto de Eunice Muñoz, e tenho um fascínio particular pelos livro e peça de teatro "the year of magical thinking" de Joan Didion, mas não consegui ver o trabalho apresentado no tnsj, de tão esgotado que esteve. pergunto-me:
quantos terão sentido vontade de sair?
quantos terão ficado mesmerizados?
quantos terão chegado a casa e tentado ler o livro (já traduzido em portugal)?
há algo que não está bem. nada pior do que encenar uma peça e não ter público para vê-la. especialmente quando se trata de um excelente trabalho de grupo.

fevereiro 26, 2010

Alan [TUP/António Júlio]

uma boa foto (do TUP) para ilustrar uma boa noite de teatro.
de chegar a casa e trazer todo o Tow Waits existente para nossa companhia.

no Porto, até 28 de Fevereiro, 22h, Fundação José Rodrigues

não perder!


Depois de meses a estudar o músico Tom Waits, as suas composições, letras e personagens, o Teatro Universitário do Porto apresenta "ALAN". ... [TUP]


fevereiro 21, 2010

soprado...

... com muita letra para aqui:



impregna-se como a silhueta de uma árvore possante, despida, na borda da estrada.

janeiro 19, 2010

abraço / hug

finalmente, a física do abraço:

janeiro 16, 2010

for cat lovers [pedro serrazina]

de Pedro Serrazina com música de Manuel Tentúgal e a voz de Joaquim d'Almeida, o enternecedor

Estória do Gato e da Lua

cratera em palco... [teatro bruto / valter hugo mãe]

ainda não desisti de valter hugo mãe, apesar da experiência desta noite.
(em voz off: who cares!?!?)

nome da peça: cratera, as crianças com segredos
autor: valter hugo mãe
encenação: Ana Luena
intérpretes: Carlos António, Pedro Mendonça e Sílvia Silva
produção: Teatro Bruto
local: Fundação Escultor José Rodrigues/Fábrica Social, Porto
até: 23 de Janeiro 2010.

não há muito a dizer. dos cerca de 55 minutos gostei da música original de Sérgio Martins e Rui Lima. o resto, trabalho difícil dos actores a partir da adaptação (ou) de um texto de Valter Hugo Mãe pouco sustentado, muito aquém da sinopse apresentada pelo autor, com meia dúzia de lugares comuns, pouco ritmo, limitado nas ideias. expectativas completamente defraudadas. ainda não desisti de encontrar VHM, mas não será por aqui...

sinopse de valter hugo mãe:
A mulher, como belo sexo, suporta também a condenação de o ser, suscitando os mais extremos desejos do homem, por vezes ao limite das coisas, ao limite da morte. O mundo persiste falocrático e a mulher prossegue como adorada e menosprezada ao mesmo tempo.
cratera, as crianças com segredos, propõe uma maneira mais difícil de ver uma mulher. Propõe que ela seja vista através de um homem, um actor que, nada disfarçando-se, é beatriz, a irmã de um estranho miguel que, na ausência dos pais, toma as rédeas da família que resta. miguel diz à irmã que os homens sempre olham para as mulheres como se estas estivessem nuas, e beatriz pensa que melhor seria se fosse também um homem para poder sair livremente à rua, sem perigo. Mas o perigo, aqui, vem de quem se espera cuidado, vem dessa louca e complexa componente do amor, a posse, que, degenerando, facilmente chega ao grotesco e ao desumano.
Esta mulher, que somos obrigados a ver através do corpo de um homem e, por isso, nos custa despir, é uma manifestação simples do desespero de se ser aprisionado por um desejo desequilibrado. É uma mulher no mundo de um homem, como se a existência, em si mesma, fosse domínio dos homens e a eles apenas devesse prestar contas.

janeiro 03, 2010

Fernando Lemos: fotografia

a propósito da exposição patente em Famalicão até dia 26 de Fevereiro na Fundação Cupertino de Miranda, deixo dois "rebuçados" para quem ainda não teve tempo de lá dar um "salto": a mostra revisita a obra fotográfica de Fernando Lemos, desenvolvida entre os anos 49-52. a obra transcende a fotografia, e surge naturalmente como mais um capítulo do surrealismo português. não se trata de mero Photoshop analógico de técnicas de exposições múltiplas, mas de estratégias para ...

... rasgar o ofício de ver [*]

terá Fernando Lemos deixado a câmara de lado após esta surpreendente obra?

Fernando Lemos, por ele mesmo:




[*] atribuído a Herberto Helder, no catálogo Fernando Lemos e o Surrealismo

dezembro 29, 2009

natal bem passado, em repetição quase contínua...

... sobrinha assim o exige!



As Triplets de Belleville, com Champion, Mme Souza (lêr Souzá) e Bruno, de Sylvain Chomet (2003).

dezembro 14, 2009

haiku "IPO Francisco Gentil"

segunda feira,
vento frio, dia de sol
- transbordam carros

dezembro 08, 2009

tic tac hip...noise void

podia estar ali horas. um corredor de fotos de familia a nu, de bebé até à velhice. um afunilado corredor. em curva. a terminar numa sala escura, por sorte vazia. no centro o chamamento do relógio, bancos para a contemplação. silêncio bem musicado - não com craig armstrong.
a cada detalhe, associações sobre a longevidade, o ritmo, o esforço, a precisão, a estabilidade, a garantia, a manutenção, e a cadência ad aeternum daquele pequeno indivíduo subindo e caíndo no engenhoso pêndulo. coisas da vida.
sim, podia estar ali horas. hipnotizada.


[ka@museu de ciência The Universum, em Bremen, nov09]

novembro 17, 2009

Aheym, Bryce Dessner, Kronos Quartet

os manos, conheci-os através dos The National. o nome do mano Bryce saltou num concerto recente de Kronos Quartet, quando se anunciou a autoria de uma das peças da noite, Aheym.

precisei de um certo tempo para procurar mais informação sobre as composições de Bryce. os Kronos continuam em digressão, e sem dúvida que já não são só os Sigur Ros, por eles magnficamente interpretado, que despertam muita curiosidade. Aheym é sempre uma das peças de cartaz.

já lá vão meses, e não posso recordar a música. lembro-me apenas do desafio ritmado e da simultânea introspecção acelerada a que a música transporta. vou ter de esperar ainda mais um pouco para a poder rever na net ou em cd.

entretanto, deixo outros sons dos manos Bryce e Aaron Dessner [MusicNOW 2009 Impromptu Jam - Bryce & Aaron Dessner, Richard Reed Parry from Jesse King on Vimeo]

.


braseiro matinal

cinco graus lá fora - dorme-se fundo desse lado, mas aqui um novo dia começa - queima
imagens roubadas a um discreto amanhecer - de arrancar um sorriso longo - preguiçoso

[ka@Bremen09]

jardim zoológico de cristal [Tenesee Williams ]

Tennessee Williams nos palcos portugueses, encenado por Nuno Cardoso, e com Maria do Céu Ribeiro, Micaela Cardoso, Luís Araújo e Romeu Costa.

não deixar escapar!



braga, theatro circo, 20 e 21 de novembro
porto, estúdio zero, 3-13 de dezembro
aveiro, teatro aveirense, 19 de dezembro
lisboa, teatro taborda, 6-16 de janeiro (10)
portimão, teatro, 23 de janeiro (10)

mais informações aqui...

outubro 21, 2009

prelúdio de outono

e tudo se juntou em minutos - sons - imagens
palavras - cores - emoções - histórias
realidade - ficção


imagens mentais - uma sala na penumbra, chão em madeira escura, envernizada mas muito antiga - presente, a mancha escura da porta da fuga , invisível - um rasgo de luz dourada, iluminando o chão - uma mão em choque a rasgar o dia a luz a confusão a casa subitamente esvaziada - uma chave abandonada bem no centro dessa mancha de luz - chave em que se condensam décadas de proximidade, uma mentira, ou uma promessa - arrepio - chega o outono

sons mentais - uma voz distante - telefone - a inflexão na voz - a promessa do fim - o 'não dito' mais claro alguma vez ouvido a reverberar - a 'questão'

o baixo em quíntuplas, as palavras e o som repescado da caixa, embalo reconfortante...

[Beth Gibbons & Rustin Man]
[Drake (Out Of Season)]

o contraste da luz com sol bem dourado ao longo da estrada, entre plátanos ainda vestidos. circunvalações reais e outra vez mentais.

o início de uma tarde de outono, a estação.

gravar na alma: é pela perda que nos encontramos.

novamente a voz de beth gibbons a contornar as ideias, levemente, pacificando todas as sensações, em quíntuplas no baixo.


...

...Turning now she caught his eye For all he knows he cannot see Pleasures smoulder inside Cover seasons that fell from view Long ago

Blame on your heart But then you know that now What do you do You hide lies inside Why do you do that I don't know why How long did i know you For i don't know why you had to go If only you had told her The words to enfold her Long ago

She took a breath and she never spoke The words that tasted like to know she told a matinee
There was an odour/Unannounced anyway But you can take and you can see There's never enough of love for destiny Don't look back from day to day What i noticed wasn't me Strangers they'll part again They'll never know For all the years they've disguised inside Knowing their years of loss remain

How long did i know you For i don't know why you had to go If only you had told her The words to enfold her Long ago

setembro 22, 2009

sotaque, em português galego [belém de andrade]


este poema foi achado numa visita à galiza (ourense),
declamado pela autora com muita e boa "solêra".
uma mostra da influência e gosto pelo português, na galiza.
a dedicação à causa da lusofonia ficará para depois...


Eu queria ter sotaque da costa
chamar-te corasom e falar-te ao ouvido de gaivotas
ondas de dois a quatro metros

marujia e mar de fundo.
Queria levar-te na barca barca num dia de sol,
ensinar-te a pescar e chamar cada peixe pelo seu nome

faneca, castanheta, maruca, andorinha do mar.
Queria ter sotaque da costa.
No lugar disso
tenho-te que dizer que ardeu o monte que minha mãe herdou de meu avó,
esse no que andava-mos as pinhas cada verão;

minha tia trazia um saco grande de papel para cada um,

os que comprava com a farinha para os porcos.
Agora não tem porcos.

No mar ainda há peixes!

Queria saber o que sentem os meninos da costa
quando seu pai embarca para regressar só no Natal

deixando-os com a sua mãe.

Meu pai embarcou sim mas ele embarcou no aeroporto de Santiago
e voltava uma vez por ano,
com minha mãe

porque ela
embarcou com ele.

Mas eu não tenho sotaque da costa.
Será coisa de minha mãe ter embarcado com ele;

se calhar
o sotaque o transmitem as mães,
não sei.

Havia uma parte do monte
que mesmo parecia costa
caminhavas, e no final
as rochas frias rompiam no bacio de jeito vertiginoso,
nos dias de sol em que o ceo era azul,

para mim era o mar.
Na costa ainda há mar.
Queria ter sotaque da costa
para falar com minha mãe de como eram as suas viagens,
de quando meu pai voltou na adega do avião,
e dos dias
nos que o sotaque do interior
ainda estava vivo.


Belém de Andrade, 34 anos, poeta desde os 11, recita poesia por toda a Galiza e Portugal, colaboradora em publicações escritas e blogues com outros autores galegos.

agosto 29, 2009

sobre mimos

há Aquele dia em que assumimos uma certa responsabilidade, caída do nada. um toque de botãozinho interior tão delicado e escondido, certeiro, impossível dizer não, difícil ignorar. como outras decisões ou factos da minha vida, a khalu trouxe consigo um conjunto de momentos hilariantes, ternurentos, teimosias, feitios, gostos, tendências, dificuldades. no dia em que nos conhecemos encontrámos quase instantaneamente um certo equilíbrio e entendimento taisl que, ainda que hajam marcas de unhas em portas que d. gata não gosta de ver fechadas, ou hajam protestos e dentadinhas refilando com alguma falta de atenção, o balanço tem sido muito positivo. esta kasa não seria a mesma sem a sua presença. isto é um facto.
talvez por isso, nestas últimas semanas nunca pensei que a khalu poderia não voltar a casa, ou que quando voltasse não seria ela mesma, com as suas manhas, miados, brincadeiras, refilados e mimos. ela é um mimo e mimamimamima. já em kasa há dias, mas a caminhada ainda vai ser longa até que eu a deixe em paz. agora, várias vezes por dia, tem-me "às pernas". e ela responde. e treme. e reage. e vai recuperando, ao seu ritmo. no fim de cada uma das três vezes de uma hora de atenção dedicada que recebe durante o dia, fica assim, muscularmente cansada, mas um doce, um mimo, um reconforto. depois de tudo isto, quero ver como ambas vamos fazer o desmame de tanto mimo cruzado......